segunda-feira, 10 de março de 2025

MÉRITO E LEGADO

Desde que me entendo podendo pensar e este detalhe começou ainda muito cedo, quando tudo me intrigava e a curiosidade me fazia escaramuçar fosse o que fosse, apenas para compreender a sua razão de ser, afinal, eu precisava entender os fundamentos da sua elaboração e para tanto, fui mestre mirim em desmanchar brinquedos, quando com eles, deveria apenas, brincar.

Se fosse só isso, afora as palmadas e os castigos que não me foram poupados por minha severa mãe, tudo estaria dentro de uma certa previsão psicológica infantil, mal interpretada pelos adultos de minha geração, mas a Regininha, nunca foi fácil e transportou essa sua incontrolável e silenciosa curiosidade para a natureza, cuja beleza e grandiosidade, simplesmente a fascinava e é claro, as pessoas foram incluídas, transformando cada dia de sua infância e adolescência em laboratórios incomensuravelmente ricos, envolventes e gratificantes, já que lhe rendiam uma compreensão ilimitada que chamam de resiliência, uma capacidade amorosa que chamam de babaquice, um entendimento amplo e irrestrito sobre méritos e legados que ao longo da vida, certamente pautaram  sentimentos, emoções e consequentes atitudes e escolhas.


E aí, neste amanhecer lindo de quase final de mais um verão desta minha vida que mais se assemelhou a um exame de eletrocardiograma, com os ponteiros sociais descendo e subindo em conformidade com os batimentos de meu coração, cá estou, as cinco da manhã, constatando jamais ter percebido qualquer mérito nos sofrimentos, assim, como nenhum sentido como legado, já que não passaram de demonstrações figurativas do quanto, seus sofrimentos, não foram espelhos convincentes de reais mudanças no comportamento humano, muito pelo contrário, serviram apenas para constatar geração após geração, a incapacidade humana em se humanizar entre si e em relação a vida, bastando ler a história humana e sua suposta evolução, assim, como olhar ao redor para as guerras bélicas, urbanas e a da fome cada vez maior e destrutiva, que se marginalizaram ao ponto de estarem totalmente banalizadas.

Enquanto, as folhas das árvores sem chorumelas, começam a cair mais abundantemente, adubando o solo e anunciando a chegada de mais um outono, fases que se alternam deixando como legado, a certeza absoluta de que a vida não para e que para cada alteração, produz e se reproduz ininterruptamente, enquanto, a insensibilidade humana, sofre e crê em sua maioria, que seu maior legado, será o exemplo de como se ter, seja lá o que for, menos a consciência da grandeza de um sorriso franco e sincero e de um abraço genuinamente fraterno.

Pense nisso, afinal, pensar ainda é permitido de graça e confidencial...

Regina Carvalho- 10.3.2025 Itaparica

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