sexta-feira, 10 de outubro de 2014

MUITO MAIS


São vinte metros de frente, reservada por um alto muro branco, onde o sol permanece iluminando e de onde estou, bem de frente, posso enxerga-lo refletindo alguns galhos de minha frondosa mangueira.
Bailo meus olhos ao redor do espaço que me separa do muro e posso ver além da mangueira, o cajueiro, os coqueiros de troncos longos, meus dois pés de limões, assim como a seriguela e minha enorme paixão que são as amoras que de tão carnudas e doces, preciso dividir com os pássaros.
Claro que existem as flores com suas cores distintas e seus perfumes apaixonantes e o já não tão jovem piso de grama que cobre como um tapete perfumado o meu pedaço de paraíso de que tanto amo.
Olho então para o céu, num ritual diário e me vejo acobertada pelo mais belo sol que me aquece.
Nos dias de chuva, sinto-me renovada com a bendita água que mais que lavar a terra, matando a sede do restante da natureza, lava-me simbolicamente a alma, renovando-me a cada gota que sinto escorregar pelo meu corpo.
As noites belas e estreladas, coroam brilhantemente, as mais incríveis luas cheias que meus olhos foram capazes de apreciar.
E nesse bailado de olhares, chego finalmente a mim e constato encantada que consegui extrair e absorver todas essas maravilhas, talvez por ser mais atenta ou quem sabe, mais apaixonada, mais lúdica que a grande maioria.
Ou talvez por ser mais vaidosa, arrogante e prepotente, por crer que este mundo me pertence e que é todinho meu. Fazendo do mar, minha banheira de águas mornas, do jardim, minha sala de repouso, dos frutos meu sempre farto banquete, dos pássaros, grilos e sapos, minha vitrola de sons e das flores, meus raros perfumes.
Que nesta sexta-feira, você se sinta tão poderosa quanto eu e consiga também olhar ao redor e enxergar os brindes que a vida generosa lhe oferece e como agradecimento, se doe, perdoe e se apaixone.
Porque a vida é sempre muito mais do que o óbvio apresenta.

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