sábado, 22 de novembro de 2014

TRAIÇOEIRO EGO


Ego, onde estás que não te encontro?
“Em que estrela te escondes, embuçado aos céus”?
De tanto te procurar, sinto-me cansada e, humildemente, tombo a teus pés, tão logo surges, com a certeza absoluta que por mais que eu venha à te procurar, encontrarás sempre uma camuflagem mais que perfeita, sempre pronta a me enganar.
Surges sempre do absoluto nada e, logo, me vejo atingida pelo fio afiado de tua poderosa espada.
Que megalomania é esta que te coloca como refém de uma dura solidão?
Ceifas brotos e frondosas árvores, tirando de ti, preciosas sombras.
Ego, impiedoso ego!
Só enxergas a ti mesmo, tirando a importância do tudo mais.
Coloca-te no pedestal de alguns breves instantes, banhando-te com a quentura das luzes instantâneas, abraçando o vazio do nada que te sobra.
Ego, maldito ego, que rasga a textura da fraternidade.
Camuflando a tua doentia vaidade, não dividindo espaço, engolindo tudo, num frenesi interminável.
Ego, maldito ego, que jamais sucumbe, criando fendas, abrindo feridas e provocando rachaduras.
Não importa o quanto ainda eu viva,
não só não conseguirei identificar um ego camuflado, como, com certeza, não sairei imune dele.

Cruz credo, como é cansativo...

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