segunda-feira, 25 de novembro de 2013

LOUVADA RESISTÊNCIA


Neste amanhecer de quase final de primavera, além dos pássaros com seus sons divinais, posso também sentir os aromas que adentram em minha casa através da janela, na qual bem próxima me encontro, como sempre, escrevendo.
Nesta manhã, especificamente, posso sentir com mais precisão o perfume das rosas que por estarem bem próximas, se fazem presentes, lembrando-me, então, o quanto além de perfumadas são belas.
Enquanto, neste instante, registro toda esta maravilha que, afinal, circula à minha volta e que, confesso, sempre estiveram presentes, provavelmente porque também sempre estive atenta ao belo e o presente, também penso no quanto fui tola, romântica e perigosamente infantil por acreditar que o mal, o feio e o rude podiam ser ignorados e mantidos sob total vigilância, por serem explícitos em suas performances.
Qual nada... Com o passar do tempo e a aquisição de maior experiência vivencial fui percebendo a infinidade variável de sua apresentação e no quanto eu estivera tola por crer que podia mantê-lo sob controle.
Fui aprendendo na forma mais dura a reconhecê-lo em sua incansável tarefa de por todo tempo espreitar tudo à partir de si mesmo e tentar e muitas vezes conseguir, no mínimo arrefecer a fé, abalando estruturas, contaminando tudo quanto possa de alguma forma alcançar.
Fui também percebendo o quanto seu poder de contágio era capaz de distorcer mentes até então aparentemente limpas e desprovidas da mácula do mal.
Outro ledo engano que a experiência aos poucos foi me mostrando, convencendo-me com fundamentos sólidos, que somente contamina àqueles que lhe têm afinidade e, para tanto, o mal com maestria os selecionam por todo o tempo.
Penso, então, que apesar de tudo quanto tenho vivido, sou uma resistente, pois tenho sido capaz de até mesmo conviver com ele sem dele tornar-me aliada.
Mas a que preço? Talvez ao preço de ter-me, despido por inúmeras vezes, justo para não guardar em mim qualquer vestígio de suas influências nefastas.
Dispo-me sem pensar e muito menos lamentar o que deixo para trás em minha caminhada, não me volto e, como a vida, amanheço e noiteço em constante renovação, tendo como fiéis seguidores nesta minha jornada, os sons e os aromas que encantam, sendo capazes de me manterem inspirada, apaixonada e agradecida e, além disso tudo, ainda forte e resistente para enfrentar todos os males que certamente nem sempre reconheço de pronto, mas que está sempre presente como uma espada afiada, querendo e muitas vezes conseguindo ceifar o belo, o puro e o irresistível, que se apresentam a mim e a você que ora me lê, tentando tirar de nós o direito sagrado de enxergar a vida tal qual ela é na sua realidade, roubando-nos preciosos instantes, maculando com seu vasto poder de contágio nossas óticas, turvando-nos a mente.
Então nesses momentos, resta-me levantar os olhos e também insistentemente posso enxergar o sol romper as ainda névoas da noite e, assim, penso no quanto também somos capazes de não menos insistentemente seguir em frente, estejamos bem vestidos ou quase nus, porque, afinal, acreditamos que a vida é bonita, é bonita e é bonita.

Que nesta segunda-feira de quase final de primavera, os perfumes e aromas, as cores e as luzes adentrem em suas vidas no propósito maior de resistência ao mal, na necessidade maior de se sentir em paz.

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