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O resgate da cultura...

imagem: anaisatoledo.files.wordpress.com

As pessoas dizem:

- A cultura está morrendo.

É verdade... são poucas as comunidades por este Brasil a fora que preservam suas tradições de origem, com o cuidado de repassá-las aos mais jovens de forma expontânea como deve ser, seguindo tão somente hábitos e costumes que determinam estações de plantio, colheita, adoração a santos(as) de devoção, costume que preserva viva uma interação participativa que, se bem observada, mantém a criatura com laços afetivos mais consistentes em relação à sua terra, suas origens e sua gente.

Quanto mais próxima a cidade estiver dos núcleos metropolitanos, mais desgarrada ela se apresenta de qualquer vínculo de tradição, restando tão somente a comemoração de determinados festejos por força de um calendário local, normalmente ligado às escolas e prefeituras, mas sem que haja de verdade uma participação voluntária e consciente.

Geralmente, para espanto de pesquisadores como eu, os participantes, em sua maioria jovens, sequer tem conhecimento do que está acontecendo, em uma demonstração absurda de alienação e desinformação.

Portanto, tais comemorações podem representar qualquer coisa, menos uma representação genuína de uma tradição, deixando tais criaturas aleijadas em suas estruturas sociais, além de estarem sendo aliciadas de forma sorrateira a desconsiderarem um convívio agregativo, necessário ao seu desenvolvimento emocional, flagelando suas potencialidades de participação em grupo e direcionando-as à posturas discriminadoras, desconsiderativas e amorosas a tudo que se refere a sua cidade e seu povo, consequentemente, transformando-se em mais uma criatura cujos valores são espelhados no alheio, além de suas fronteiras, despersonalizando-a permanentemente, o que mais adiante pode se refletir em posturas anti-sociais.

O retorno das escolas em revitalizar as datas comemorativas, levando as crianças a participar efetivamente, é o foco principal a ser observado, criando-se assim um hábito saudável que sem dúvidas colaborará efetivamente para a formação de jovens mais dóceis na convivência com os demais, pois aprenderão a cultivar as tradições locais e a dividir espaços e brilho pessoal, lição numero um de qualquer participação em grupo, além de forma sutil e agradável libertá-la do isolamento postural, impulsionando-a a não ter medo de se expor ao grupo no qual está envolvida de forma alegre, expontânea e amorosa.

Educar na escola nos tempos atuais, onde o desinteresse dos alunos é tão somente um reflexo de sua desagregação familiar e social, é bem menos complicado do que aparenta, bastando somente que se reveja as didáticas, adicionando a elas um ingrediente que sempre foi importante, mas que nos tempos atuais é fundamental, que é o interesse real do mestre, comprometido com a sua responsabilidade em ensinar educando, tendo como esteio leis, subsídios, além de espaço físico adequado ao desenvolvimento de um trabalho fundamental, que é o da formação de mentes cidadãs.

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