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Desatino Existencial


A insatisfação permanente é o único e denso ônus que assola a nossa existência.

Nossa tarefa existencial é não fazer a diferença e sim buscar a cada instante ser parte integrante do universo, onde reconhecemos ser individualmente elemento fundamental.

A função de cada criatura se resume em distribuir essências de conscientização da grandeza existencial, que certamente fará o elemento humano que a absorve vivenciar a plenitude em ser.

Alimentar-se, vestir-se, lavar-se, acordar e dormir, ir e vir no dia-a-dia, deixou de ter a suprema importância de se cuidar da própria vida para se tornar uma solitária e comum rotina vivencial. As consequências deste desatino levam a criatura a perder o foco de suas próprias características, em função do primarismo social que o envolve em uma névoa de desejos e necessidades, absolutamente dissociadas das suas reais necessidades, através de induções falsas ao consciente, que por sua vez reconhece a inadequação e reage buscando nos sentidos alguma coerência. Afinal, o consciente é como um maestro de uma orquestra, sempre atento para que haja harmonia em cada instrumento. Ele não é mais ou menos importante, entretanto, é fundamental, pois determina pausas, espaços e homogeneidade. Ele é, também, um arranjador, adequando melodias à novos ritmos como forma de apresentação. Sem a sua presença, a orquestra se transformaria em um agrupamento de grandes músicos que fatalmente agrediriam os ouvidos alheiros, justo pela falta de equilíbrio de grupo ou senso comum.

É preciso que se resgate o maestro que existe em nós, através da nossa vontade voluntária e, passo a passo, conquistemos a serenidade para as nossas posturas em relação as nossas emoções.

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