Pular para o conteúdo principal

CAMUFLAGEM E PROCEDIMENTOS

imagem: automotor.eti.br

Mesmo que eu viva mais mil anos, creio que jamais compreenderei a extensão e a potencialidade que a criatura humana é capaz de empregar nas camuflagens pessoais no convívio com os demais e, o que é pior, consigo mesmo, atraindo com este comportamento que a princípio lhe parece controlável, mas que em dado momento foge-lhe o controle, induzindo as suas emoções a criar máscaras absolutamente independentes de seu controle racional, apesar de parecer-lhe totalmente conciente, criando, então, patologias diversificadas, mas que na realidade são tão somente desvios comportamentais simbioticamente inseridos no mesmo contexto de inadequação absorciva e de não convívio harmonioso nas relações interpessoais.

Apesar de todas as experiências de aprendizado que venho registrando ao longo de quase cinco décadas, confesso-me neófita, e em dados momentos sinto-me incapaz de avaliar com precisão uma ou outra variante, frente a um volume tão grande e diversificado com o qual tenho que conviver por todo o tempo.

Daí , minha incompreensão quando me deparo com diagnósticos tão definitivos e com um receituário tão maciço e pouco diferenciado em sua aplicabilidade, principalmente em se tratando de patologias diagnosticadas dentre o universo das, digamos, mais comuns e pouco ou quase nada possíveis de serem detectadas através de exames neurológicos mais precisos.

Posso, entretanto, compreender a necessidade de um controle mais eficaz e rápido da criatura que esteja apresentando um quadro psicótico, através da ingestão de medicamentos inibidores, por um prazo razoavelmente curto de, no máximo, cinco a dez dias, de acordo com a resposta apresentada . Todavia, tão logo a criatura se mostre mais acessível a uma interação menos traumática, a mesma deve permanecer o mais limpa possível, devendo as doses serem paulatinamente diminuidas, a fim de que o profissional possa melhor avaliar suas reações quanto à psicoterapia que for aplicada.
Naturalmente, o ideal é que esta criatura estivesse pelo menos sob um regime de semi- internação em um período inicial de trinta a sessenta dias, permitindo assim que o profissional envolvido pudesse monitorá-la dia-a-dia sem qualquer interrupção de continuidade dentro de um período de cerca de oito horas, onde poderia melhor avaliar os efeitos dos medicamentos sobre as ações e, assim, determinar com mais precisão não só a dosagem adequada, como a continuidade dos mesmos e até na obtenção da certeza de estar oferecendo o medicamento ideal àquela patologia, sem que o desenvolvimento do tratamento seja comprometido de alguma forma.

A dificuldade nos atendimentos ambulatoriais oferecidos pelo SUS, leva o paciente a percorrer com seus familiares uma verdadeira via sacra de buscas e frustrações, ficando, na maioria das vezes, a criatura exposta a procedimentos sem qualquer realidade com a patologia em questão e ao ideal tratamento, por total falta de infraestrutura nesta área, assim como um despreparo quanto a interpretação da lei que, em hipótese alguma, anula a necessidade de internação, ficando o CAPS de cada localidade com a responsabilidade de triagem e encaminhamento, mas sem na prática estar sob um controle efetivo, até mesmo pelas péssimas condições oferecidas pela prefeituras, principalmente nos centros de menor desenvolvimento econômico e social.

Infelizmente, ainda em nosso país, a saúde em todos os níveis é tratada sem a devida seriedade, e quanto a saúde mental, fica-se com a certeza absoluta de um atraso histórico e cruel, restando na prática tão somente o direito da criatura em receber cartelas de comprimidos e atendimentos psicoterápicos distantes do ideal.

Estas minhas observações são como um grito de socorro frente ao banalismo que venho constatando através do desempenho dos governos, federal, estadual e municipal , nesta área, como também na área de educação, ambas fundamentais à manutenção de qualquer índice de equilíbrio social.

Infelizmente, prioridade nesta área, assim como na educação e segurança, só existe em período eleitoral, como chamariz de voto, independentemente da linha partidária é o vale tudo de promessas para se obter o poder.

Fico atenta por todo o tempo, avalio resultados em relação às promessas e busco corrigir nas urnas, muitas vezes meu voto desperdiçado. Fazer o que mais, se além de não ter bola de cristal ainda estou frente a uma política e a políticos, em sua emagadora maioria, descompromissados com as causas públicas?

Tudo que aprendi foi buscar entendimentos através do que me é apresentado, sem paixões ou engajamentos partidários, apenas com o objetivo social de me sentir menos alienada, mais participativa, na esperança sempre viva de poder um dia vivenciar mudanças positivas ao bem comum.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OPRESSÃO CULTURAL

Acreditei estar me especializando na área da observação do comportamento humano e, por toda a minha vida, pensei estar aprendendo tudo quanto poderia, e, no entanto, absorvida com a diversidade infinita que me cercava e totalmente fascinada com o que majestosamente me apresentava a cada instante, me perdi totalmente, e, de repente, assim sem qualquer aviso prévio, vejo-me diante de minha não menos infinita ingenuidade avaliativa e percebo, então, o quanto nada sei em relação a capacidade humana em se adaptar às circunstâncias, ou a buscar posições favoráveis à suas conveniências pessoais de adaptabilidade social.Há alguns anos, venho tentando entender o porque de minha paixão por Itaparica, visto que conheci inúmeros outros locais, não menos bucólicos e acolhedores. E agora, como um raio de luz esclarecedor, posso compreender que em minhas buscas pessoais de aperfeiçoamento, encontrei aqui, neste local encantador, todos os subsídios necessários a um aprendizado mais concreto e expli…

Os professores: Um “novo” objeto da investigação educacional?

Houve um tempo, afinal nem tão distante, em que a função da escola era prioritariamente ensinar disciplinas que contribuíam nos universos de cada criança, despertando-as em suas inclinações naturais, na construção de seu futuro perfil profissional e pessoal.
Também era no ambiente escolar que a criança exercitava a convivência, não só com o contrário, mas principalmente com o diferente, deixando aflorar os ensinamentos oriundos de seu núcleo familiar.
Era comum ouvir-se: “a educação vem do berço”.
E este berço, não necessariamente precisava ser abastado economicamente e muito menos letrado, pois havia os conceitos pré-estabelecidos, onde as posturas respeitavam os limites do alheio, criando-se assim normas socais de conduta, não só externa, mas antes de tudo em meio à própria família.
Nesta época a que me refiro, havia uma distinção entre as atribuições tanto da família como da escola, assim como sob nenhuma circunstância esperava-se do mestre qualquer atributo fosse materno ou paterno, a…

O FALSO BOM SAMARITANO...

Há algumas horas atrás, assistia à uma uma aula de Filsosofia da Educação, onde em determinado momento falávamos em interação com o Professor Wilson sobre justamente a humanização de nós humanos.

Cheguei a argumentar que somos incapazes de atingir esta humanização ideal exatamente por que não somos educados ao entendimento da dimensão de nossa própria existência, nem no conceito individual quanto mais em relação a um todo que sequer conseguimos enxergar e muito menos sentir.

Estamos divididos em três facções vivenciais, ou seja: aqueles que crêem em Deus e são religiosos, aqueles que crêem, mas nao são religiosos, e aqueles que não crêem.

Todos, sem exceção, vagueiam em seus cotidianos sem ter qualquer entendimento real do quanto estão desperdiçando seus minutos presentes e, sem sem se dar conta, permanecem repetindo posturas que em sua maioria no máximo os robotizam, tirando lenta, mas sistematicamente, toda e qualquer potencialidade interior que é capaz de impulsioná-los a se verem com…