Pular para o conteúdo principal

GENEROSIDADE


Quando conseguimos dominar os nossos impulsos frente ao apenas diferente, e mesmo o contrário, adentramos numa bendita estrada, cujo percurso nos habilita em algum momento a agirmos como pessoas generosas.
E o percurso é longo, já que existem etapas a ser vencidas. São paradas obrigatórias, aonde vamos nos despindo de inúmeros sentimentos com os quais fomos convivendo, como se os mesmos nos fossem absolutamente naturais.
E não o são, pois na realidade, fomos colhendo-os, fosse em parte pela convivência num sistema inadequado, fosse pela genética que imprime sua marca, fosse por ambos, o que é o mais provável.
Ir gradativamente retirando estes pesos extras é o mesmo que se sentir, a cada passo, um ser mais leve, menos amargo, menos briguento em relação ao mundo.
E aí, também aos poucos, vamos enxergando a irrelevância dos embates sem propósitos, que não o de impor nossa forma de sentir e vivenciar o mundo.
Da mesma forma que enxergamos com absoluta nitidez a incapacidade do outro em compreender os nossos pontos de vista.
Essa compreensão não se assemelha à arrogância em nos sentirmos melhores ou mais inteligentes, tão somente, a conscientização de que o outro enxerga o mundo com o seu próprio olhar, que abriga todo um histórico pessoal e cultural que precisamos respeitar.
E  é, neste exato momento do exercício da convivência, que percebemos que estamos no caminho de nos tornarmos generosos conosco, porque ao respeitarmos o outro na sua visão, estaremos, automaticamente, respeitando a nós mesmos, pois nos colocamos como aprendizes, pois, há sempre um espaço venturoso entre nós e os outros, para um contínuo arrebanhar de ensinamentos mútuos.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O FALSO BOM SAMARITANO...

Há algumas horas atrás, assistia à uma uma aula de Filsosofia da Educação, onde em determinado momento falávamos em interação com o Professor Wilson sobre justamente a humanização de nós humanos.

Cheguei a argumentar que somos incapazes de atingir esta humanização ideal exatamente por que não somos educados ao entendimento da dimensão de nossa própria existência, nem no conceito individual quanto mais em relação a um todo que sequer conseguimos enxergar e muito menos sentir.

Estamos divididos em três facções vivenciais, ou seja: aqueles que crêem em Deus e são religiosos, aqueles que crêem, mas nao são religiosos, e aqueles que não crêem.

Todos, sem exceção, vagueiam em seus cotidianos sem ter qualquer entendimento real do quanto estão desperdiçando seus minutos presentes e, sem sem se dar conta, permanecem repetindo posturas que em sua maioria no máximo os robotizam, tirando lenta, mas sistematicamente, toda e qualquer potencialidade interior que é capaz de impulsioná-los a se verem com…

CONSIDERAÇÕES SOBRE A PRESTAÇÃO DE CONTAS DO PRIMEIRO QUADRIMESTRE DE 2018

Estive, como sempre, presente na Câmara Municipal de Itaparica por ocasião da prestação de contas que, diga-se de imediato, foi didaticamente explicada ao público presente, que se resumia em sua maioria a funcionários da própria prefeitura e assessores diretos da gestão. No entanto, todo o evento foi transmitido ao vivo pela sua Rádio Tupinambá FM. Acompanhei os itens apresentados com a mente aberta ao entendimento, mas reconhecendo as minhas limitações contábeis, deixando-me ao direito de apenas buscar dados que explicassem os gastos em relação à arrecadação que, na avaliação de pessoa comum do povo, pareceram-me elevados ao pensar na precariedade em que a cidade vem vivenciando o seu cotidiano. Em vista desta premissa, fui registrando algumas perguntas que as explicações da especialista em finanças, assim como a Controladora do município, não foram capazes de esclarecer, até porque, não cabia a nenhuma delas tecer considerações sobre as decisões da gestora em relação ao destino das ve…

OPRESSÃO CULTURAL

Acreditei estar me especializando na área da observação do comportamento humano e, por toda a minha vida, pensei estar aprendendo tudo quanto poderia, e, no entanto, absorvida com a diversidade infinita que me cercava e totalmente fascinada com o que majestosamente me apresentava a cada instante, me perdi totalmente, e, de repente, assim sem qualquer aviso prévio, vejo-me diante de minha não menos infinita ingenuidade avaliativa e percebo, então, o quanto nada sei em relação a capacidade humana em se adaptar às circunstâncias, ou a buscar posições favoráveis à suas conveniências pessoais de adaptabilidade social.Há alguns anos, venho tentando entender o porque de minha paixão por Itaparica, visto que conheci inúmeros outros locais, não menos bucólicos e acolhedores. E agora, como um raio de luz esclarecedor, posso compreender que em minhas buscas pessoais de aperfeiçoamento, encontrei aqui, neste local encantador, todos os subsídios necessários a um aprendizado mais concreto e expli…