De joelhos no templo,
mãos postas, olhos fechados…
palavras sussurradas ao céu
como quem negocia com Deus.
Mas lá fora
ah, lá fora
o amor é seletivo,
a compaixão tem filtros
e a verdade…
se adapta à conveniência.
Reza-se alto,
vive-se baixo.
Invoca-se o sagrado,
mas silencia-se diante da vida.
Que fé é essa
que cabe no ritual
mas não transborda em atitude?
Que Deus é esse
que aceita encenação
e dispensa coerência?
Talvez…
não seja Deus que esteja distante
mas nós,
cada vez mais longe
daquilo que fingimos ser.
E então, de que vale ajoelhar,
se ao levantar
continuamos os mesmos?
Regina Carvalho-1.4.2026 Pedras Grandes SC
Ilustração IA

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