Ontem à noite, retornando de Tubarão, desfrutei de um delicioso jantar na companhia de minha filha, em um restaurante japonês que simplesmente adoramos. Infelizmente, no retorno, constatamos na estrada um jovem motociclista morto, após colidir com um carro. Nos tempos atuais, essa cena tornou-se recorrente e, eu diria, até corriqueiramente considerada “normal”, despertando apenas a curiosidade daqueles que passam pelo local.
Hoje, certamente, entrará como mais um nos índices de acidentes de trânsito que ocorrem a cada ano, mas não para mim. Imediatamente, pensei nos pais daquele jovem e na vida que ali, no meio do asfalto úmido pela leve chuva, se perdeu. Pensei em mim quando meu filho me pediu uma moto e eu recusei dar, mesmo podendo. Pensei, em seguida, sobre uma expressão comum de se ouvir e que, confesso, já disse inúmeras vezes: “Ninguém morre de véspera”, depositando em Deus essa responsabilidade. Será? Ou trata-se apenas de mais uma forma de consolo? Afinal, apesar de não termos consciência do espetáculo da vida em sua completude, menos ainda compreendemos de onde viemos, por que estamos aqui e para onde iremos. Mesmo assim, não nos conformamos, pois temos apenas uma certeza: em algum momento, partiremos. Então, deixamos para Deus essa tarefa. Nesta Sexta-feira Santa, enquanto aprecio o esplendor das luzes de um novo dia, penso, sorrindo, que eu e você que me lê, repletos de cicatrizes, algumas visíveis, outras tão profundas que apenas nós e o Deus que habita em nós conseguimos enxergar, sobrevivemos a todas. E isso é extraordinário. Principalmente quando consideramos o quanto algumas dores nos atravessaram e, ainda que por instantes, nos impediram de apreciar a vida. Penso, então, que nesta sexta-feira em que estamos vivos, ainda com feridas abertas ou já cicatrizadas, sejamos capazes de celebrar, com gratidão, no oceano de nossos espíritos, a vida que pulsa em nós. Que possamos honrar um Mestre chamado Jesus Cristo, que, sendo humano como eu e você, foi até o seu limite para nos deixar sua mais absoluta certeza: “Amai a Deus sobre todas as coisas e ao teu próximo como a ti mesmo”. E o próximo é tudo aquilo que respira e sente. Simples assim. Regina Carvalho 3.4.2026 -Pedras Grandes SC

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