terça-feira, 31 de março de 2026

AUTOAJUDA?

Sim, por que não?

Não seria essa sabedoria milenar, gabaritada pela sensibilidade, o caminho mais rápido, seguro e sem custos financeiros que, afinal, está ao alcance de qualquer ser humano, analfabeto ou letrado?

Ao perceber, sei lá quando, pois já faz muito tempo que eu era capaz de conversar com Deus tal qual o fazia com um amigo mais próximo, minha alegria foi imensa. Silencioso, Ele ouvia e só intervinha clareando minha mente, onde estavam armazenadas outras opções, fazendo-me compreender que havia saídas. E que só eu, com minha disposição, focando nos meus propósitos, sem permitir que minha determinação fosse minada pela inércia ou pela preguiça, seria capaz de aliviar ou até mesmo eliminar, o que me consumia, confundindo incessantemente entendimentos e ações.


Minha sensação pessoal de segurança e conforto no cotidiano se estabeleceu para nunca mais me abandonar, a ponto de que nada, absolutamente nada, fosse mais forte ou poderoso que a presença confortadora do meu Deus pacificador.

Através d’Ele, fui apresentada à mais linda realidade da minha vida: eu mesma, acompanhada da responsabilidade exclusiva e intransferível de cuidar de mim, zelando para que o mundo exterior, diverso e quase sempre inóspito, não pudesse me danificar.

Aí, curiosa e atrevida, mas ainda carregando o peso de, desde a mais tenra idade, ser considerada meio louca ou apenas uma esquisita, quis conhecer melhor o tão propagado Jesus, que me foi apresentado por um amigo, garantindo que ele operava milagres.

Por que não, se seus feitos atravessaram milênios?

Menino!!!

Que coisa, viu!!

Aconteceu o inesperado: a Regininha, ao ler e reler Mateus no Novo Testamento, foi se apaixonando, não pelo personagem descrito, mas pelo Deus que se fazia visível e palpável em mim, oferecendo-me o mais dinâmico e rápido salvamento. Pois, como náufraga até então, eu nadara contra as correntes genuínas de mim mesma.

Fui compreendendo que, ao tentar agradar ao mundo, feria a mim  e aos votos de cumprir o sagrado dever de cuidar do mais perfeito e irretocável presente que a vida me ofereceu: eu.

Pensei... estarei enlouquecendo de vez?

O narcisismo me dominou?

Afinal, a cada capítulo lido, vislumbrava naquele Jesus mais que uma bandeira pela qual muitos negociavam redenção e perdão como bilhetes para ascender aos céus. Eu estava, enfim, encontrando um aliado despojado, um fiel parceiro, cujo único interesse era ver-me caminhar com toda a segurança que só a paz interior pode produzir.

Degustei cada narrativa de sua caminhada, tendo o cuidado de observar quando e onde o poder da propaganda se inseria, criando fatos pontuais e chamativos, frases de efeito que envolvem o emocional. De mídia promocional, eu um pouco entendia. Assim, cuidadosamente, fui retirando os confetes e as serpentinas e concluindo, com toda nitidez possível, o quanto ser genuinamente ético, lógico e, portanto, coerente, causa rejeição, até mesmo nas mais sensatas criaturas, transformando-as em carrascos de qualquer realidade que as confronte.

Hoje, neste amanhecer de uma terça-feira considerada santa, tudo o que realmente posso fazer para homenagear o meu Jesus é, simplesmente, agradecer por mais um dia de consciência plena, através do Deus que reside em mim, louvando o precioso modelo do Mestre Educador,  forma pioneira, singela, mas absurdamente poderosa, capaz de despertar em cada pessoa o poder da bendita autoajuda, para que esta se descubra continuamente, num sacerdócio pessoal de burilamento, onde o amor-próprio se torna incrivelmente contagioso e capaz de operar milagres além de si.

Regina Carvalho

31.03.2026 — Pedras Grandes/SC

Ilustração-IA

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