quarta-feira, 22 de abril de 2026

Sem inspiração...

Uma das várias atividades de meu genro é o plantio de maracujá; por isso, podem imaginar o quanto tenho aproveitado essa fruta deliciosa, sem contar o perfume que ela espalha pela casa. Como tenho certa preguiça de preparar sucos, optei por comer a polpa às colheradas, adoçada com mel, o que fica simplesmente divino.

O que isso tem a ver com o que vou escrever? Absolutamente nada. Estou apenas preenchendo o vazio até que a inspiração se aposse de mim, neste amanhecer que demora cada vez mais a surgir, ao contrário do frio que só se intensifica. Por acaso, alguém pensa que é fácil escrever diariamente durante décadas, sem que, vez ou outra, o fio condutor das ideias escape?


Enquanto a "bichinha" não chega, lembro que amanhã, 23 de abril, é dia de São Jorge, meu escudeiro inseparável. Devo absolutamente tudo a ele, pois o sinto ao meu lado, fiel e amoroso, desde a minha mais tenra idade. Pensando nele, aproveito para expressar minha gratidão pelos sufocos que ele evitou que eu passasse, ou por aqueles em que permaneceu ao meu lado, reforçando minhas forças mentais e emocionais para que eu não desmoronasse diante da dor ou da decepção.

Até hoje, mesmo estando literalmente sozinha, sinto sua presença aquecendo minhas carências e criando perspectivas. Ele não me deixa esquecer que "tudo posso naquele que me fortalece" (Filipenses 4:13). Essa menção à força suprema do Criador foi escrita por Paulo enquanto estava acorrentado em uma prisão em Roma, o que demonstra que tal força é uma perseverança interior, não externa. A meu ver, esse é o caminho fundamental para que haja harmonia na vivência e na convivência.

Afinal, não podemos mudar o outro que nos magoa, mas podemos e devemos nos escudar para que os golpes desferidos nos atinjam o mínimo possível. Particularmente, é assim que sempre interpretei as mensagens cristãs. Se sobrevivo até agora, encontrando beleza em tudo o que me cerca, deduzo que minha forma de exercer a fé tem sido exitosa.

Entendi cedo que, infelizmente, ensinam-nos a rezar de formas variadas, mas se esquecem de nos incentivar a olhar para dentro, buscando o Deus que reside em nós. Para que isso ocorra, é necessária a compreensão serena de que, nesta vida, somos responsáveis apenas por nossas próprias ações e reações. Quando nos tornamos serenos o suficiente para entender que o outro só oferece o que tem, aceitamos que precisamos burilar o que oferecemos e o que recebemos, já que o próximo será sempre um precioso espelho.

Devido ao frio intenso, o galo só agora cantou, mas a Regininha continua sem inspiração. Fazer o quê...

Regina Carvalho- 22.4.2026  Pedras Grandes SC

Ilustração IA

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