quarta-feira, 8 de abril de 2026

SABORES DA VIDA

Acordei saboreando fatias de banana-da terra, fritas polvilhadas com açúcar e canela, sentindo o gosto inundar o céu da minha boca. Que delícia são as lembranças emocionais!

Penso que passei a maior parte da vida registrando tudo de bom que fui encontrando pelos caminhos que percorri. Procurei ser absolutamente fiel aos detalhes, pois são eles que fazem a diferença entre o comum e o especial. Para mim, uma banana-da-terra precisa ser frita para ser inserida como acompanhamento ou sobremesa, trazendo para a refeição um toque completo e pra lá de especial.


Conhecer aromas, texturas e sabores desde a mais tenra idade despertou meus sentidos. Isso deu a eles a oportunidade de se manifestarem, selecionando tudo o que me era afim. Em seguida, transformaram esse maravilhoso recurso físico em um aliado perfeito para que eu não desconsiderasse os sinais que eles enviavam; sinais que garantiam tudo o que me faria feliz, nem que fosse por instantes. Como sorver o aroma de uma flor, de uma pessoa ou da terra molhada, que sempre me faz fechar os olhos para me concentrar, deixando o perfume fluir em mim, apenas uma criaturinha apaixonada pela vida.

Sobre essa minha preferência pelos amanheceres, creio ser porque o nascer de um novo dia representa novas possibilidades. Os raios solares abrem um leque de opções e, para uma mente inquieta como a minha, um novo dia é sempre um campo aberto a ser percorrido, onde posso levar comigo as essências de mim mesma, acumuladas dia após dia de venturas.

A banana-da-terra frita sempre traz em seu sabor simbólico lembranças de prazeres que resgatam o Rio de Janeiro e o bendito entorno da minha infância e adolescência. Traz também a minha adorável Itaparica, lugar mágico de vibrações que coroou meu reinado de paixão e gratidão pela existência.

Reconhecendo meus sentidos, transformo-me em pescadora. Faço com minha rede um arrastão cotidiano do belo, do justo e do nobre, permitindo-me formar a cada dia um cardápio variado, rico de sabores e sensações. O tempero básico é o sal e a pimenta da minha criatividade, realçante dos sabores inigualáveis da vida.

Entendi desde sempre: complicar para quê? Se o amanhã existir para mim, será um novo dia, uma nova pescaria, uma renovada esperança, faça sol ou faça chuva. Portanto, regalo-me com o que tenho para hoje, lambendo os lábios e dizendo: amém.

BOM APETITE!

Regina Carvalho- 8.4.2026 Pedras Grandes SC

Ilustração-IA

Nenhum comentário:

Postar um comentário