Certamente não aconteceu somente comigo. Acredito que, para cada pessoa, o tempo, a forma e as motivações do próprio renascimento sejam diferentes. No meu caso, não houve sequer a conscientização de que uma páscoa pessoal ocorria, muito menos o entendimento sobre o conceito ou a consciência de que eu não havia escolhido renascer sob influências dogmáticas. Compreendi, pouco a pouco, que esse fato não se deu de repente, mas sim na percepção diária de sobreviver às tormentas de uma mente livre. Por mais opressão que sofresse, minha mente ainda batia asas e voava, pairando sobre a indignação daqueles que, por motivos diversos, tentavam me paralisar.
No entanto, foi ao estudar sobre Jesus que descobri afinidades e me enxerguei na rebeldia ostensiva do mestre, bem como em sua ousada tenacidade em crer que sempre seria possível extrair o melhor da vida. Esse "melhor" que se descortinava em minha mente não tinha preço definido em moedas, mas sim em bem-estar, adquirido por meio das vibrações mansas que eu produzia em mim para me inspirar no convívio com o mundo.
Assim, fui abandonando a culpa pelo que fiz ou deixei de fazer. Compreendi sua inutilidade, pois ela nada ensina e ainda adoece. Permiti que florescesse a compreensão de que sou um ser em contínua lapidação em uma estupenda oficina chamada vida. Ali, as arguições são diárias e a única obrigação é remover arestas com cortes firmes, criando, consertando e transformando o que já é precioso em joia rara.
Penso, então, que a Páscoa de 2026 está apenas começando. A oficina já está com as portas abertas; basta que você, com determinação, entre, tome as ferramentas necessárias e se transforme no ourives de si mesmo.
Regina Carvalho
5.4.2026 - Pedras Grandes/SC

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