sexta-feira, 31 de agosto de 2012

UM SOPRO E NADA MAIS

Vaidade, senhora cruel que nos domina, tirando de nós a lucidez, minando o racional que no instantâneo de sua presença se enfraquece, abrindo espaço para a loucura do inadequado que passa, então, a nos dominar como uma poderosa força, não nos permitindo enxergar o óbvio e, muito menos, o sensato. Penso, assim, no cheiro e no aconchego que partilhamos de forma fraterna através de abraços, beijos e carinhos ou na penetração bendita de corpos que se fundem até mesmo para gerar novos corpos, fazendo energias interagirem, tornando emoções registros eternos e em meio a esta interação prazerosa que eu e você somos capazes de sentir vivendo, lá está ela, esgueirando-se entre ações e pensamentos, a vampira vaidade pronta para empanar instantes preciosos, anulando de um momento para o outro a comunhão de corpos, de alma e principalmente de vida. Aprendemos a andar, equilibrando-nos sobre duas pernas, aprendemos a amar, nos entregando por completo, mas infelizmente na maioria de nossos instantes presentes, somos incapazes de aprender a dominar a fúria de nossa vaidade que a tudo destrói em sua razão própria. Penso então na senhora morte que, tal como a vaidade, não se mostra estando presente, não se manifesta a não ser na surpresa de um apagar de velas em um só sopro, fazendo de nós tão somente uma brisa, uma aragem nesta existência, neste mundo que insistimos em acreditar pertencer a um DEUS que teimosamente não reconhecemos nos outros que nos cercam e muito menos em nós, que dizemos abrigá-lo. Lembro-me, então, dos grandes poetas, musicistas e trovadores, lembro-me dos filósofos e dos apaixonados pintores, seres humanos aventureiros que sentiram a vida na sua rudeza, que perceberam a vida na sua leveza e que registraram a vida na sua grandeza. Penso nas mães, nas filhas e no vento, penso no mar, na brisa, penso em mim. Penso em você que me lê neste exato instante, e aí, penso na luz que necessitamos para enxergar a maldita vaidade que nos faz esquecer e muitas vezes sequer pensar em tudo isto e em muito mais. Que neste último dia deste mês lindo de agosto, tornemo-nos filósofos e até mesmo poetas, exigindo de nós, cuidados em relação à traiçoeira vaidade, não fazendo de contas que ela não existe, ao contrário, pois só rasgando o véu que a mantem camuflada, seremos capazes de trazê-la à tona de nossos egos e, a partir daí, encontrar a luz de seu entendimento. Trazendo-a as claras para somente poder domá-la e enfim compreender que somos tudo e somos nada, e que a luz se apaga na sua instantaneidade, ficando apenas o que somos e o que fizemos. Dedico estes meus pensamentos matinais ao querido e inesquecível LELÊ que com sua figura alegre, simples e amável coloria vidas, colorindo a vida, mas ainda assim, se foi como uma brisa e nada mais.

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