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O DOM DO ENVOLVIMENTO



De todos os dons naturais das criaturas humanas, certamente o que mais me impressiona é justo o dom da palavra, da oratória.

Este, quando bem articulado, fazendo parceria com o lógico do senso comum, torna-se um potencial ilimitado de envolvimento emocional que chega, a partir de determinado momento, a também envolver o corpo, determinando-o a esta ou aquela postura que, por sua vez, se expressa e muitas vezes ultrapassa limites, sejam estes de mansidão ou não.

A história da humanidade mostra os inúmeros aspectos motivadores destas posturas, assim como retrata a existência por todo o tempo de um manipulador que, com seu magnetismo argumentativo, arregimentou e direcionou outros tantos a agirem segundo suas perspectivas.

Assim é o eterno jogo político, onde ganha sempre aquele que melhor convence, envolve e manipula.

Ouço cada discurso, observo cada postura, seja no palanque ou fora dele, com os olhos de uma águia, com o faro de um tigre, e ainda assim, não me faltam momentos onde eu me reconheça envolvida.

Imagino, então, o desavisado, o coração aberto, o sofrido, o esperançado!

Itaparica, não precisa de um político, pois já produziu e alimentou muitos.

Itaparica, não precisa de oradores, tão pouco de milagreiros.

Itaparica precisa de administrador sério e competente, capaz de estabelecer prioridades que abranjam o maior número possível de criaturas dentro de um espírito de senso comum respeitoso.

Itaparica precisa de um servidor altivo, ético, capaz de reconhecer a diferença entre o ideal e o necessário, entre o útil e o apenas agradável, entre o certo e o politicamente correto.

Itaparica precisa de decência de propósitos, honestidade nas ações, coerência nas posturas entre o ser e o fazer.

Itaparica, enfim, precisa de gente no mais completo de sua expresabilidade, nem santo e tão pouco  Diabo, apenas uma pessoa capaz de possuir em sua essência de criatura humana, aquele quinhão de humanidade que, afinal, distinga-o do restante, fazendo dele um ser que é, que faz e também, por que não, acontece.

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