sábado, 7 de março de 2026

HOMEM X MULHER

Imensa dificuldade encontro quando penso em escrever especificamente sobre a mulher, já que desde sempre meu foco foi o ser humano na completude de seu ser, independentemente de ser homem ou mulher, pois sempre cri que um está intrinsecamente ligado ao outro, não podendo haver completude isoladamente.

Reconheço que esta minha forma de pensar está totalmente ligada à lógica biológica da própria formação física, além de uma educação doméstica ditada pelo exemplo e não por estéreis discursos. A penetração corpórea se dá de forma absolutamente adequada, produzindo ou não uma nova vida, tal qual a quase totalidade dos demais animais, e a harmonia dos relacionamentos, afora os classificados como doentios, se dá estruturada no respeito.


Portanto, a influência de qualquer religião com seus preceitos e preconceitos não me influenciou em nenhum aspecto neste meu entendimento. Assim como reconheço o direito inalienável de quem quer que seja de pensar e agir diferentemente de mim, cabendo-me apenas respeitar.

Quando penso na mulher, lá está o homem, ambos ligados umbilicalmente, o que me faz pensar o quanto é desastroso esse distanciamento insistente, como se um fosse contumaz predador e o outro eterna vítima. Confesso que lembro saudosa de minha adolescência, onde a figura masculina era o símbolo mais constante de meus sonhos, levando-me a desejar encontrar um rapaz que por mim se apaixonasse e, quando isso aconteceu, foi a glória.

Sinceramente, não lembro de disputar com ele força ou poder de qualquer natureza, e sim querendo tê-lo unicamente como meu par constante, fosse na cama ou no trabalho, onde a empatia ditasse nossos limites. As trocas de olhares eram tentadoras, seus elogios eram bem-vindos e a mistura dos aromas pessoais, aliado ao sensível toque, meu Deus! Particularmente, fui ao céu e por lá fiquei.

Então hoje, setentona, inteira, cheirosa e produtiva, sentindo-me uma velhinha gostosa diante do espelho, constato o quanto os homens contribuíram para o meu fortalecimento físico e emocional. Portanto, ver o homem o tempo todo nas mídias, nas calçadas ou nos lares como um inimigo agressor, sentindo-o como ameaça, assim como o homem enxergar qualquer mulher apenas como presa disponível, para mim é assustador. Na intimidade ou fora dela, eles foram e ainda são apoio e proteção, até porque, como afirmei anteriormente, jamais com eles competi, reconhecendo sem firulas nossas imensas diferenças, possíveis de se completarem, sem que isso jamais tenha caracterizado submissão.

Concluo mais uma vez neste mês dedicado às mulheres em que, como uma delas, talvez me seja dificultoso escrever apenas sobre agressões e morte. Isso ocorre por eu sempre ter me enxergado como um elemento que se completou tendo, por todo o tempo, homens parceiros e amigos, incríveis companheiros que dividiram comigo o melhor de si mesmos.

Por que será? 

É fundamental que existam leis e punições rigorosas para proteger a vida, mas elas sozinhas não curam a origem do problema. Além de punir o erro, precisamos meditar sobre o que está adoecendo nossos vínculos, buscando tratar as causas desse distanciamento humano para que o respeito mútuo seja a nossa primeira natureza.

Não se trata de transferir responsabilidades, mas de compreender que as mudanças radicais nos papéis sociais de homens e mulheres exigem um novo aprendizado emocional. Precisamos de sabedoria para assimilar essas transformações, substituindo a agressividade pelo entendimento. Afinal, ao focarmos apenas no medo, corremos o risco de acirrar um separatismo que esfria a alma. É preciso distinguir a agressão do afeto e o desrespeito do flerte saudável que alimenta a autoestima. Não podemos deixar que o receio destrua a bela comunhão existencial que é o encontro gostoso e completo entre as duas mais perfeitas e lindas criações da vida.

Regina Carvalho

Pedras Grandes – SC

Ilustração IA

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