Dentre inúmeros gatilhos que tiram o nosso equilíbrio, queira-se admitir ou não, o arrependimento e a falta de perdão são dois motivadores do constante estresse emocional. Este, por sua vez, aciona a ansiedade que, por não gostar de estar sozinha, atrai a depressão. A princípio, ela parece quase inofensiva, mas aos poucos domina os espaços da mente, adoecendo-a tão gravemente que suas metástases vão contaminando fracionadamente o corpo. Enquanto atrai maior atenção para o físico, ela reina absoluta, flagelando os instantes presentes da criatura humana.
Insisto desde sempre no controle pessoal da existência, onde a coerência é o eixo sensitivo entre ação e reação. É o único controle eficaz do equilíbrio que precisa existir entre a mente e o corpo. Este, por sua vez, mantém os sentidos como informativos instantâneos, sem riscos de enganos totais; pois, se a visão se confundir, o tato se deixar envolver e o paladar se desorientar, lá estará o olfato, que dentre todos, com certeza, é o mais seletivo.
Nenhum fio está solto na formação biológica dos seres vivos. Afinal, cada qual, dentro da sua especificidade, possui sensores capazes de emitir os sinais de alerta necessários ao bom andamento da criatura. Todavia, na presunção humana de se sentir a "cereja do bolo" justo porque raciocina, o homem deixa em segundo plano os seus benditos sentidos. Criamos, então, um bolsão psicológico confuso, atraído por influências externas que minam nossas resistências naturais e produzem emoções aquém de nossas reais necessidades.
A mente confusa se desespera, as emoções tropeçam umas nas outras e, portanto, buscar saídas rápidas, mesmo que momentâneas, sempre parece ser o melhor caminho. Como evitar tamanha desconexão com a realidade de si?
O ideal seria a prevenção. Esta aumenta sua eficácia quando inserida nos aprendizados infantis. O fortalecimento do corpo necessita que a mente o acompanhe, ambos inseridos na completude de uma formação equilibrada para o enfrentamento de um mundo externo onde nem sempre é fácil conviver. É quase impossível se a criatura humana não possuir ferramentas próprias de resistência e salvamento.
Inserir os sentidos como ferramenta indispensável à mente no cotidiano da criança é prioritário. É fazê-la compreender que ela pode tudo, mas nem tudo lhe convém. Ninguém sofre pelo que serenamente reconhece não lhe pertencer. Ninguém se martiriza se cultivou o equilíbrio, a razão e o amor em si e por si, reconhecendo que a vida é fantasticamente bela e complexa, justo por ser absolutamente diversa.
Onde entra o arrependimento?
Ele surge em cada instante em que a consciência, agora desperta, confronta as escolhas que nos distanciaram de nós mesmos. O arrependimento não é um castigo, mas o sinal de que a lucidez retornou.
E o perdão?
Este nasce da compreensão exata de que viver é um caminho de aprendizado e que não acertar, se cansar ou errar os passos, é previsto acontecer.
Ao unir essa lucidez com a autocompaixão, estabelece-se uma parceria imbatível, onde o ditado popular se expressa sem retoques: “É o olho do dono que engorda o gado”. Quando assumimos a presença e o cuidado sobre nossa própria mente, a vida prospera.
Simples assim...
Regina Carvalho- Pedras Grandes, SC
6 de março de 2026
Ilustração IA

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