terça-feira, 17 de março de 2026

IMPREVISÍVEL...

Amanheci pensando na sorte que sempre caminhou ao meu lado, vez por outra dando umas escapadinhas e me deixando ao acaso dos acontecimentos, o que me levava a pensar: poxa, fiz tudo certinho e, ainda assim, estou passando por isso...
Como sou notoriamente curiosa, busco explicações e acabo encontrando não uma, mas quatro tipos de sorte: a cega, pura sorte, como ganhar na loteria; a do movimento, resultado do esforço e da tentativa de criar oportunidades; a da percepção e experiência, que nos permite reconhecer o que muitos não veem; e a magnética, quando nos tornamos tão bons no que fazemos que as oportunidades passam a nos encontrar.



Enquanto a primeira não pode ser controlada, as outras três podem ser desenvolvidas por meio da ação, do conhecimento e da autenticidade.
Vou além e encontro definições que afirmam que a sorte pode variar conforme o contexto emocional, filosófico, religioso ou místico, sendo, muitas vezes, uma força sem propósito, imprevisível e incontrolável, capaz de determinar caminhos favoráveis ou não.
Mas, como sou a Regininha, insistente observadora, ainda creio que, como seres vivos, estamos expostos a forças e circunstâncias que ultrapassam nossa capacidade de controle, independentemente de estarmos preparados ou não para enfrentar o imprevisível.
Essa percepção ecoa no cotidiano de qualquer lugar do planeta, onde a natureza ou mesmo o outro ser humano podem, em um instante, desfazer o maior dos esforços. E, diante disso, penso que nada é mais poderoso do que a imprevisibilidade.
Sendo ela a marca do incerto, do inesperado e do que não se pode antecipar, poderíamos supor que, com o avanço da ciência e da tecnologia, estaríamos mais protegidos. No entanto, sendo humanos, criativos e desafiadores, seguimos criando situações em que, muitas vezes, só mesmo contando com uma sorte imensa, que insistimos em chamar de Deus, conseguimos seguir adiante.
Se olharmos com honestidade, veremos que, independentemente de agirmos corretamente, de sermos boas ou más pessoas, a sorte caminha conosco até o momento em que nos falta. E é justamente aí que nascem a insegurança e o medo, alimentando um desajuste individual e coletivo que já não respeita quase nada que não seja alienante.
E então me pergunto:
Quanto tempo falta para o próximo carnaval, micareta ou eleição?
Será que tomei hoje o ansiolítico?
Regina Carvalho – 17.03.2026 – Pedras Grandes/SC



 

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