quinta-feira, 26 de março de 2026

DE QUE LADO, AFINAL?

Ninguém, nos últimos tempos, tem me perguntado de que lado político estou. Afinal, o rótulo da "Direita" foi tatuado em mim há muito tempo. Lembro-me de 2008, quando subi felicíssima pela primeira vez em um trio elétrico na minha querida Itaparica para apoiar a candidata Marlylda Barbuda, indicada pelo prefeito da época, Claudio da Silva Neves, carlista juramentado.

Juntos, amargamos derrotas, mas, como pessoas vividas, entendíamos que quando a esmola é demais, o santo deve desconfiar. Sabíamos que, se certas fórmulas não deram certo no passado, nem mesmo com Getúlio Vargas, não haveria de dar agora. As narrativas e as promessas eram as mesmas.


Fui tatuada por minhas escolhas, mas, por mais que eu explicasse que não defendia cegamente um lado, poucos acreditaram. Nesse meio tempo, votei em Bolsonaro. Não por acreditar em perfeição, mas por um discurso que me pareceu inovador: pela primeira vez, um candidato defendia valores explicitamente, enquanto o outro lado, incentivava deixá-los rolar ladeira abaixo.

Jamais esquecerei a jovem universitária que me perguntou: "De que valores a senhora está falando?". O nome dela guardarei comigo, mas a pergunta confirmou minha escolha. Senti que aquela geração já desconhecia os pilares da família e do respeito, fruto de um idealismo massificante e de uma mídia alienante.

Minha intenção não foi criar ídolos, mas buscar o resgate da ética pública e humana que via escorrer pelos canos da corrupção. Via a dignidade do povo ser negociata pela ganância, pela fome e pela ignorância dos próprios direitos.

Sempre fiel aos ensinamentos do Mestre Jesus, sustento em mim a esperança do Apocalipse:" o triunfo final do Reino de Deus sobre as forças do mal." Se não posso mudar realidades sozinha, uso meu voto e meus escritos como gritos de esperança para ver desaparecer essa "bondade administrativa" que desfigura nossa terra de gente trabalhadora.

Sustento a convicção de que Deus olha por nós e há de nos manter livres das garras traiçoeiras que, enquanto oferecem o pão com uma mão, esfacelam a dignidade com a outra. Como diz o ditado: "Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe". Creio, do fundo do meu coração, que já basta de um sistema que amplia a dependência pública e usa a Constituição ao seu bel-prazer em nome de uma democracia há muito esfacelada.

Regina Carvalho- 26.3.2026 Pedras Grandes SC

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