segunda-feira, 30 de março de 2026

ESCOLHO OU SOU ESCOLHIDA?

O miado da Pérola na porta do meu quarto, em Pedras Grandes, substituiu o canto dos pássaros que me despertava em Itaparica. A cada amanhecer, percebo que solidão nunca foi problema em minha vida. Logo que o dia clareia, o bezerrinho do vizinho chega mugindo seu bom dia incansável, até que eu apareça na varanda. E assim, neste início de mais uma semana santa, penso nos rituais, nos dogmas, no dar e no receber. Recordo o ano 2000, quando escrevi 220 páginas sobre Equilíbrio, Razão e Amor.

Talvez o título pudesse ter sido Determinação, Foco e Disciplina, pois esse é o tripé que sustenta o ser humano em qualquer lugar do mundo. Afinal, já que não escolhi nascer, que ao menos me seja dado o direito de escolher como viver da melhor forma possível, mesmo que diferente dos demais.


Mas não é simples. Foram tantas regras e conceituações que só o tempo, fluindo, me permitiu reconhecer afinidades e seguir sobrevivendo. Muitas vezes decepcionada, compreendi que só encontraria meu verdadeiro lugar ao desaguar no mar profundo de mim mesma.

Se não fossem as margens benditas que me contiveram, valores recebidos e fortalecidos pela espiritualidade, eu teria secado ou transbordado sem limites. Foram elas que me ensinaram a recuar quando necessário e a persistir quando valia a pena, até que pudesse desaguar no paraíso de mim mesma, acompanhada de outras vidas, humanas ou não, neste ciclo de liberdade.

Percebo agora que, ainda criança, ao me emocionar com as piabinhas mordiscando meus pés no riacho gelado de Guapimirim, já escolhia a paz, o equilíbrio e o amor como valores que pautariam minha vida.

Portanto, se escolhi ou fui escolhida, pouco importa. O que importa é que, em cada vitória ou derrota, esses valores me lembraram que tudo valia a pena, pois minha alma jamais se tornaria pequena.

Viva Jesus, hoje e sempre que nos deixou como legado condutas irrefutáveis, amorosas margens seguras, garantidoras da paz interior, onde os vazios não existem, porque são continuamente preenchidos de esperança.

Regina Carvalho – 30.3.2026 – Pedras Grandes, SC

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