domingo, 8 de março de 2026

O BRASIL SEM VERDE E AMARELO

Acordei antes mesmo do dia clarear como de hábito, já que acompanhar o seu despertar não me cansa, fazendo-me lembrar do quanto gosto de estar vivendo.

Todavia, hoje, acordei abraçada ao meu querido amigo "Starita" que carinhosamente chamo de meu lindo francês.

Neste final de sonho, lá estávamos abraçadinhos em silêncio deixando-nos fundir através de profundas afinidades, mais poderosas que todas as diferenças evidentes e indiscutíveis, mas que aos poucos em nossa convivência foram se dissipando, abrindo espaço para uma amizade do tamanho do mundo.


E aí, depois de ter passado a semana vendo e ouvindo a mídia revelar em detalhes o morticínio promovido pelos Estados Unidos, Israel e Iran e seus aliados, onde vidas foram ceifadas, mas cercadas de mil argumentos que as justificam, acordar neste domingo abraçando simbolicamente um amigo que está navegando nos mares do pacífico há alguns anos é a certeza absoluta que ao deixar este mundo, levarei comigo o melhor e mais caloroso que a vida terrena generosamente me ofereceu.

Todavia, a realidade cotidiana do meu Brasil  dos trios elétricos, do carnaval e da estúpida ignorância, promotora cruel da  violência, alienação e fome, me leva a pensar que os genocídios se apresentam diversificados, mas bem mais devastadores, quando a destruição ocorre silenciosa, em forma de falsos milagres sociais, corroendo as mentes da juventude, criando novas gerações de vampiros existenciais, onde só sabem comer, beber, transar e dançar, num ciclo vicioso de alienação, expressando ao invés de prédios e corpos esfacelados, mentalidades destruídas, cujos cacos precisarão de muitas outras gerações para serem reconstruídas.

Constatar que os Gedeis e infinitos outros engravatados e ordinários meliantes, ladrões da dignidade de um povo, ditam o destino do meu país, enquanto, cúmplices silenciosos a tudo assistem como se absolutamente fossem normais as atitudes dos usuários momentâneos do poder, é no mínimo desesperador para mim e para certamente, milhões de outros brasileiros.

E aí, agarrando-me as minguadas esperanças restantes, rogo a Deus que neste bendito ano eleitoral, a luz divina foque o meu Brasil, livrando-nos do fel que nos amarga e das nevoas que nos empana, assim como, erradicando o Diabo de mil disfarces e sua legião de vampiros sugadores.

Regina Carvalho-8.3.2026 Pedras Grandes SC

Ilustração IA

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