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OCUPANDO ESPAÇO, GERANDO AMOR

São pouco mais de quatro horas da manhã e novamente, ainda deitada com os olhos fitando o céu que posso enxergar através de uma das bandas da janela que se encontra aberta, vejo retardatárias estrelas e penso, não sei bem porquê, nas inúmeras estrelas que existem resistentes entre nós no nosso cotidiano, algumas ainda muito pequenas, mas cujos brilhos são tão intensos que certamente, não passam desapercebidas por olhos atentos, quanto aos meus. Estrelas brilhantes que esperam silenciosamente que alguém abra espaços de amor nas suas duras realidades para que, ao invés de se apagarem no ostracismo ou serem arrastadas pelas intempéries de seus instantes doloridos, possam receber um bendito impulso para que no firmamento de suas existências, possam distribuir suas luzes, abastecidas de energias, numa integração que lhes permitam fazer parte de um firmamento, onde o brilho individual se expande, trazendo mais luminosidade ao seu redor. E neste bailar de pensamentos que até podem parecer lúdicos, enxergo a Praça dos Veranistas, há algum tempo, meio que esquecida como uma bela dama solitária de um quadro renascentista, precisando urgente de uma renovação de cores e luzes, de ideias e ideais, para dar-lhe a chance de novas proposições, onde estrelas se desenvolvam, dando mais brilho ao que já é por natureza belo. Penso então no terreno atrás do Grande Hotel e no espaço de amor que pode se transformar, se ao invés de lixo e mato seco, lá for erguido um centro de talentos cênicos para fazer despontar constelações de uma nova geração de estrelas que, ofuscarão a miséria, a dor e a violência, com a música, o teatro e a poesia. E, continuando a pensar, vejo o rosto lindo do amigo Yulo Cesar, senhor do bastão quase mágico, que faz despontar estrelas, num céu nublado que o cruel sistema social produz. E aí, dando asas aos meus sonhos e devaneios de inclusão social palpáveis, posso enxergar a praça em ritmo de movimento, servindo suas frondosas arvores como abrigo seguro para os nossos jovens, num ir e vir de construções de vidas. Para quem não curte o carnaval, resta pensar em estrelas e nas constelações que o amor pela vida e a vontade política, podem gerar.

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