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DESABAFO.

Lendo as mensagens de pêsames em várias postagens, encontrei uma em que a pessoa disse que mudaria seu título para outra cidade porque o Prefeito era mais inteligente e sabe cuidar das pessoas. Li e reli não acreditando que mesmo com tantas informações midiáticas, ainda existam pessoas que acreditam que segurança pública é responsabilidade de Prefeito, seja ele quem for. O comandante de polícia e sua corporação é responsável pela segurança de toda a Ilha de Itaparica e ainda existem duas delegacias de polícia civil, promotores públicos e Juízes. Por que a violência só aumenta? Provavelmente por inúmeras causas em que as falências institucionais associadas as políticas sociais estejam presentes, num banalismo atuante em todos os níveis de nossa sociedade, aleijando e corrompendo mentes. A inversão sistemática dos valores mais primários de convivência, são solapados por todo o tempo por todos aqueles de deveriam representar modelos a serem seguidos, mas lamentavelmente, o são da forma mais ignóbil possível, transferindo para as frases feitas e os falsos argumentos, todas as justificativas para a violência que produzem através de suas inconsequências políticas e consequentemente humanas. Itaparica através de sua Prefeitura, produziu dias e noites de muitas alegrias, onde famílias inteiras, inclusive a minha, pode desfrutar de absoluta segurança, boa comida e muitos sorrisos soltos. O que aconteceu no final da terça-feira, foi um ato desastroso e absolutamente pontual, onde não há a quem culpar, além da banalidade à vida que infelizmente, também aqui tem sua morada nas almas destruídas que trocam os argumentos por armas, suas loucuras pessoais pelas vidas que cruzam as suas. Enquanto tivermos políticos corruptos e sem qualquer vergonha e dignidade pessoal à frente das Câmara de vereadores, Deputados e senado Federal, assim como Presidentes caras de pau, bandidos contumazes, que corrompem tudo que tocam e que na realidade não estiveram e não estão nem aí para cada um de nós, presenciaremos ao crescimento contínuo da violência que é alimentada pela ignorância generalizada e pela miséria que é bem mais séria que a pobreza, mais corrosiva que a simplicidade, tão destruidora quanto a hipocrisia de se pregar uma igualdade que nunca existiu e jamais existirá nem mesmo onde o respeito humano se faz presente de forma expressiva. Tudo que precisamos é buscar um equilíbrio na divisão de rendas e oportunidades, abrindo espaço para que gente decente cuide de nós. Mas como se somos nós os primeiros a aplaudir os bandidos que elegemos inconsequentemente, enquanto jogamos pedras em todo aquele que não atende aos nossos interesses? Mudar de cidade não é solução, idolatrar gestores muito menos, porque só existe uma solução e não duas que é uma mudança de postura pessoal que sirva de modelo a todos os demais que nos cercam para que em um futuro, possamos ter uma convivência menos cruel, menos separatista e consequentemente, mais humana. Desculpem o desabafo, mas eu conheci na minha juventude um mundo de muitas diferenças sócio econômicas, assim como reconheço a escassez que havia de acesso à educação formal, todavia, como garota de classe efetivamente média, seguia as recomendações de minha mãe, que me orientava a cortar caminho, através da favela da Praia do Pinto, mais conhecida como Cruzada São Sebastião, fundada por Dom Elder Câmara, que fazia divisa dos bairros Leblon e Ipanema, por ser mais seguro, deixando-a assim mais tranquila, quanto as minhas idas ao Clube AABB, onde jogava tênis duas vezes por semana. Seria hoje, absoluta loucura, totalmente impensável, sequer passar na calçada de uma favela. Quando a miséria vestiu as roupas de uma falsa igualdade de direitos, amparados em falácias sociais sem base estrutural que verdadeiramente sustentassem de forma eficaz os amparos oferecidos aos mais carentes, a inércia, a baixa qualidade educacional, o sentimento de desforra e o tudo mais que a mente humana é capaz de produzir, explodiu através do ganho fácil do tráfico de qualquer coisa, principalmente, da alma humana, num bailado idealista sem conteúdo prático que determinasse o seu ritmo e a sua cadência. E então, a arvore que já não produzia frutos de qualidade, acabou por produzi-los adoecidos ou podres.

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