Pular para o conteúdo principal

SENSO DE PERTENCIMENTO

Perdi o texto que escrevi pela manhã e, certamente não conseguirei reproduzir as palavras, mas com certeza, todas as intenções. Busquei no silêncio possível de ser encontrado nesta parte de Ponta de Areia, onde somos carentes de uma rua trafegável, de iluminação correta, de recolhimento de lixo, de limpeza de matos e tudo o mais que os nossos impostos pagos diretamente à Prefeitura a nos daria direito. Todavia, o bendito silêncio, este existe, unicamente graças ao respeito que cada vizinho tem para com o outro, portanto, neste silêncio me é permitido pensar no senso de pertencimento que venho observando de forma inédita estar rapidamente tomando consciência na mente e, principalmente, na alma de uma parcela expressiva de itaparicanos, principalmente, os mais sofridos com os sistemáticos abandonos por parte do executivo e legislativo. De repente, sem que houvesse qualquer acordo de grupos partidários, as posturas começaram a mudar e uma certa pressa passou a se expressar através da impaciência, seguidas de cobranças, numa certeza de que o tempo não pode mais ser medido pelos políticos e sim por eles em suas reais necessidades, já que até agora, pacientes e cordatos, foram extremamente generosos, oferecendo poder, benécias variadas, mordomias impensadas às capacidades pessoais dos mesmos e só receberam o mínimo ou quase nada, como favores e caridade. Se grande parte de meu bairro se encontra flagelado, certamente o mesmo ocorre no Jardim Nova Itaparica, ao Mangue Seco, a Ilha Verde e a maioria dos bairros que fogem ao olhar observador dos turistas e veranista, pois são os abrigos que deveriam ser seguros e minimamente decente para se viver, para um povo que luta bravamente para sobreviver a despeito da falta quase total de oportunidades. A palavra de ordem que tenho escutado é “chega”, chega de muita conversa, desculpas intermináveis, briguinhas e falácias em plenário nada úteis ao povo e sim aos interesses unicamente dos políticos. Chega de licitações sempre muito demoradas, chega de prioridades que atendem somente aos interesses que facilitam a vida e o trabalho dos assessores e aliados políticos, chega de arranjos descarados de todos os níveis e interesses que ofendem a inteligência e a boa-fé do povo humilde, chega de promessas futuristas, quando as necessidades são para o aqui e agora. Finalmente, o povo começa a perceber que se durante a campanha, todas as mazelas existentes são reconhecidas e até chamadas de históricas e, são pelos candidatos, espalhadas como merda nos ventiladores dos palanques, obviamente as soluções e os recursos para saneá-los já deveriam estar na manga como um trunfo ao povo e gratidão pelos votos que pretendem receber. O povo começa a compreender que a falta de continuidade nos processos de sucessão, são abusivos e representam atrasos assustadores, cujos ônus só ele paga do início ao fim de cada mandato, ficando o bônus para um pequeno grupo que lambe os beiços se sentindo os máximos, frente a milhares de babacas sofredores, a maioria com os pés descalços ao chão. O povo itaparicano, desde outubro não é o mesmo e os políticos não perceberam imbuídos que sempre estão nos seus egocentrismos e na certeza da impunidade de suas mesmices comportamentais que , antes de pensarem em adular aos aliados e cooptarem parceiros da oposição, deveriam voltar suas atenções a um povo que decidiu que tudo seria diferente e que de lá para cá, silenciosamente avalia cobrando ações, já no tom de patrão, numa evolução fantástica que emociona e me faz pensar que, verdadeiramente, nada é inerte e para sempre igual. Agora vai... Não resta a menor dúvida!!!!!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OPRESSÃO CULTURAL

Acreditei estar me especializando na área da observação do comportamento humano e, por toda a minha vida, pensei estar aprendendo tudo quanto poderia, e, no entanto, absorvida com a diversidade infinita que me cercava e totalmente fascinada com o que majestosamente me apresentava a cada instante, me perdi totalmente, e, de repente, assim sem qualquer aviso prévio, vejo-me diante de minha não menos infinita ingenuidade avaliativa e percebo, então, o quanto nada sei em relação a capacidade humana em se adaptar às circunstâncias, ou a buscar posições favoráveis à suas conveniências pessoais de adaptabilidade social.Há alguns anos, venho tentando entender o porque de minha paixão por Itaparica, visto que conheci inúmeros outros locais, não menos bucólicos e acolhedores. E agora, como um raio de luz esclarecedor, posso compreender que em minhas buscas pessoais de aperfeiçoamento, encontrei aqui, neste local encantador, todos os subsídios necessários a um aprendizado mais concreto e expli…

Os professores: Um “novo” objeto da investigação educacional?

Houve um tempo, afinal nem tão distante, em que a função da escola era prioritariamente ensinar disciplinas que contribuíam nos universos de cada criança, despertando-as em suas inclinações naturais, na construção de seu futuro perfil profissional e pessoal.
Também era no ambiente escolar que a criança exercitava a convivência, não só com o contrário, mas principalmente com o diferente, deixando aflorar os ensinamentos oriundos de seu núcleo familiar.
Era comum ouvir-se: “a educação vem do berço”.
E este berço, não necessariamente precisava ser abastado economicamente e muito menos letrado, pois havia os conceitos pré-estabelecidos, onde as posturas respeitavam os limites do alheio, criando-se assim normas socais de conduta, não só externa, mas antes de tudo em meio à própria família.
Nesta época a que me refiro, havia uma distinção entre as atribuições tanto da família como da escola, assim como sob nenhuma circunstância esperava-se do mestre qualquer atributo fosse materno ou paterno, a…

O FALSO BOM SAMARITANO...

Há algumas horas atrás, assistia à uma uma aula de Filsosofia da Educação, onde em determinado momento falávamos em interação com o Professor Wilson sobre justamente a humanização de nós humanos.

Cheguei a argumentar que somos incapazes de atingir esta humanização ideal exatamente por que não somos educados ao entendimento da dimensão de nossa própria existência, nem no conceito individual quanto mais em relação a um todo que sequer conseguimos enxergar e muito menos sentir.

Estamos divididos em três facções vivenciais, ou seja: aqueles que crêem em Deus e são religiosos, aqueles que crêem, mas nao são religiosos, e aqueles que não crêem.

Todos, sem exceção, vagueiam em seus cotidianos sem ter qualquer entendimento real do quanto estão desperdiçando seus minutos presentes e, sem sem se dar conta, permanecem repetindo posturas que em sua maioria no máximo os robotizam, tirando lenta, mas sistematicamente, toda e qualquer potencialidade interior que é capaz de impulsioná-los a se verem com…