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O GRITO DA LIBERDADE

A partir de janeiro de 2017, a Ilha de Itaparica estará sob a batuta de dois jovens, absolutamente distintos em suas naturezas históricas pessoais, mas absolutamente ligados em propósitos similares, representando uma parcela do povo brasileiro que não aguenta mais o “pot-pourri” de desmandos que vem assolando de forma sistêmica e desavergonhada o erário público. Particularmente nos meus mais de quarenta anos de carreira, jamais encontrei nas pessoas tanta vontade de rasgar o espesso pano da vergonha nacional que pode ser encontrada em cada minúsculo recanto deste país, lesando de forma cruel a soberania do estado de direito de cada cidadão. Não foi preciso nenhuma revolução, armas ou quebradeiras, tão somente, a luz da consciência de cada cidadão, que disse BASTA. Aqui na Ilha, não seria diferente, e no embalo nacional de buscar uma espécie de redenção, por tantas décadas de opressão, o povo votou de forma emocional, fazendo de cada voto um grito de liberdade pessoal, compreendendo, finalmente, o poder que cada um representa no contexto geral e que no somatório é capaz de grandes mudanças. Impossível continuar convivendo com os desmandos de todas as espécies, até porquê, as economias minguaram, secando pelo menos em parte a fonte saudável do desenvolvimento que abriga a nutrição de instituições bases do desenvolvimento, acolhimento e amparo do povo, tornando-se necessário um estancamento urgente que veio através do grito de liberdade de cada cidadão que buscou em seus candidatos o socorro necessário e urgente. É bonito de se ver e é emocionante compreender a grandeza do que aconteceu no dia 2 de outubro e que, certamente, marca um divisor de águas nos propósitos políticos e nos anseios do povo, e harmonizar estes discursos exigirá de cada eleito, seja no legislativo ou executivo, cojones para o enfrentamento com um sistema viciado que tentará de tudo para permanecer intocável, a começar pelos acordos feitos em relação as custas das campanhas e que se estende na mentalidade cada cidadão, que apesar de querer ser livre e ver a corrupção expurgada, ainda espera alguma compensação pela sua lealdade, já que também é impossível transformações instantâneas de vícios comportamentais. Todavia, o passo inicial foi dado pelo capitão de cada time em cada recanto deste nosso país varonil e, doravante, somente o exercício diário da cidadania, da participação da população e da transparência administrativa, fará ao longo tempo sucumbir o mau caratismo, com o nome simpático de jeitinho brasileiro, para quem sabe, num futuro não muito distante, possamos ocupar um lugar de destaque de qualidade e prosperidade no cenário mundial. Pois enquanto existir a fome e a miséria, existirão também a escravidão e a indignidade humana. Apenas é preciso cuidado para no afã das mudanças necessárias, não se ser injusto colocando-se de forma não menos cruel todo o joio no cesto de trigo de boa qualidade. Serenidade é a chave básica para o sucesso das grandes mudanças. Não há gloria, onde não há respeito.

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