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COTIDIANO

Quando se chega na minha idade, naturalmente, muitos carnavais já foram apreciados e talvez por esta razão, não me surpreendo em demasia com as plumas e os paetês que adornam as fantasias deste nosso cotidiano que se esforça imensamente em ser surpreendente, mas que na realidade, tem apenas se aprimorado, tanto nos quesitos bons, quanto nos ruins, numa sucessão contínua de risos de alegrias e gritos de dores que se confundem, formando os sons das cidades, dos bairros, das ruas e infelizmente, também de nossas casas. É o ladrão que adentrou, o marido que bebeu, a filha que fugiu, o vizinho que brigou, o político que roubou, a empregada que faltou, a torneira que secou, a pia que entupiu, mas felizmente, o natal chegou. E tudo vira festa, pois em seguida vem o réveillon, depois o carnaval e como consolo espiritual, chegamos a semana santa, mais adiante as festas juninas e por aí vamos seguindo as estações, amparados nas tradições, mas verdadeiramente, vivendo de ilusões...

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