sexta-feira, 14 de outubro de 2016

QUEM SABE UM DIA...

QUEM SABE UM DIA Quietinha no meu canto, aparentemente solitária, afinal, para quem tem a mente repleta de questionamentos sem qualquer receio ou mesmo medo de participar de seu mundo sistêmico, errando e às vezes acertando, não há lugar para a solidão. E se não bastasse a infinidade de porquês, a cada dia, novos surgem de forma surpreendente, já que na realidade são os mesmos, tão somente, com novas vestimentas e novos personagens, todavia, dentre tantas mazelas que permeiam a raça humana, existe apenas uma delas que me toca de forma devastadora, que é a fome, tirando de mim qualquer maior respeito pela política partidária, se bem que como qualquer outra idealista, agarro-me vez por outra à boias que me parecem mais convincentes, tendo de confessar que até o presente momento, nenhuma delas preencheu o vazio da minha imensa decepção. Penso na fome e a imagino sem nunca tê-la sentido, crendo que para aqueles que a vivem no seu cotidiano, nada mais importa que um simples, mas grandioso, prato de comida que a falta de respeito humano nega despudoradamente aos seus semelhantes, fingindo não vê-los nas suas miseráveis aflições ou, tão somente, realça-los em prol de seus próprios interesses, como se a fome fosse uma grande bandeira, talvez um poderoso abre alas que propicia a visibilidade política partidária aqui ou em qualquer outro lugar, onde a ganância, a vaidade e o total desconhecimento existencial é capaz não só de produzir como de se perpetuar. A fome é tão absurdamente devastadora que tira do faminto a autoestima, deixando existir apenas como sentimento que é a esperança que ela, criatura invisível aos olhos de todos nós, se torna unicamente visível no voto da miserabilidade que é capaz de conseguir por um trocado qualquer nas épocas eleitorais. E como, então, criticá-los por venderem seus votos ou depositarem suas esperanças em um prato de comida, prometido? E de promessa em promessa, os guetos da fome proliferam e a vergonha em tê-los produzido se esvai, oferecendo a vitória da banalização sobre grandeza da vida humana.

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