domingo, 23 de outubro de 2016

NUNCA FOI TÃO PROPÍCIO

Não existe nada tão sábio quanto os ditados populares, afinal, são frutos das experiências empíricas que, de fato, contam as vivências culturais do cotidiano sem que haja barreiras fronteiriças, continentes interligados, raças ou qualquer diferenciação, já que as criaturas humanas, ou não, preservam seus hábitos e costumes, assim como as suas complexidades onde quer que estejam e, de uma forma ou de outra, se parecem ou se copiam. “Gato escaldado, tem medo de água fria” No nosso cotidiano tupiniquim é possível vivenciarmos alguns deles, sem no entanto, nos atermos as suas absurdas verdades que impiedosamente nos cortam como lâminas afiadas, transformando-nos em tão somente, espertinhos sem causas definidas, frente aos nossos continuados lamentos a respeito disto ou daquilo. “O pior cego é aquele que não quer ver” “ Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” “ Ignorância é o pior de todos os males” “De boas intenções o inferno está cheio” E por aí vai... No entanto, tem um ditado que sempre me incomodou e creio que a maioria das pessoas que é: “Manda quem pode e obedece quem tem juízo” Esse é um velho ditado que foi abraçado pelo povo brasileiro desde os tempos coloniais, quando mais de cinco milhões de indígenas foram dizimados pelos portugueses, numa manifestação de força e poder, crueldade e ignorância, deixando-nos uma herança de subjugação que perdura até o momento atual, com raras ressalvas nos últimos cinquenta anos, mas que ainda se pode constatar através da reação do povo nas últimas eleições, onde a raiva, o despeito, a amargura e o desencanto, fizeram com que a insurreição proletária se fizesse ouvir e enxergar através da vitória em quase todo território nacional, não do conhecimento, não da conclusão lógica, mas do poder emocional que é mais perigoso que veneno de jararaca, sucuri ou coisa que o valha, afinal, pode ser mortal para quem foi vitorioso. Tal conclusão não é primazia dos atuais eleitos, mas apenas, uma cópia colorida mas sem tanto brilho de impressão, quanto foi em 2002, que o iletrado, representante dos pobres e oprimidos, populista carismático, senhor da salvação que arrastou multidões que em festa continuada, gabou-se dos brancos exploradores e dos ricos FDP e fez com que acreditassem que político e poder, abraçam o povo fazendo seguir a tradição do velho ditado em que o líder manda e o povo obedece... Incrível a nossa capacidade em esquecer o ontem e desconsiderar o cerne de cada questão... “ Como o seguro morreu de velho” “ E de boas intenções o inferno está cheio” Sigo a minha intuição de ficar esperta, pois: “Em terra de cego quem tem um olho é Rei.”

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