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PARTE DE MIM

Sol e chuva, casamento de viúva.
Quem ainda se lembra deste refrão?
Particularmente, adorava correr no terreiro, tentando com os bracinhos abertos, abraçar o sol e correndo atrás de mim, uma mãe possessa, que gritava por todo o tempo todas as doenças que adviriam daquela estrepolia infantil, sem deixar, é claro, de ameaçar com o chinelo, o que me fazia correr mais rápido ainda.
E aí, na medida em que fui crescendo, continuei amando esta mescla da natureza, mas que me lembre, nunca mais corri pelo menos desta forma pra abraçar o sol, preferindo sempre apreciar do conforto de um abrigo seguro.
E então, creio que a partir daí perdi grande parte de minha inocência, que no decorrer dos anos seguintes teria me feito um grande bem, porque, afinal, compreender tão nitidamente tudo que nos cerca, mais que uma conquista, dom ou seja lá o que for, é antes de tudo e por todo tempo um exercício de paciência, resignação pela própria condição de também ser uma humana.
O muito amor pela vida, não consola em alguns momentos em que somos obrigados a conviver com a pequenez espiritual que nos assola.
Vixe! Não pensem que estou depressiva, talvez vez por outra melancólica, principalmente quando incansavelmente me deslumbro com os brilhos maiores desta vida, e aí, eu, como toda romântica, me emociono e imediatamente lamento que assim como eu e tantos outros, não consigamos entender porque tantos outros não conseguem encontrar inspiração em sua vidas, tão somente reverenciando a própria vida.
É..., seria isto a expressão máxima da diversidade humana?
Ou seria simplistico demais, resumir toda esta incapacidade de reconhecimento existencial, tão somente pela falta de interligação homem/natureza?
Responda você, que ainda nem se apercebeu que por minutos, lá por volta das 7 horas da manhã, choveu e fez sol, tudinho ao mesmo tempo,só para lhe dizer:
- Ei! eu estou aqui, meu nome é vida e você faz parte de mim.
- BOM DIA!!!!!

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