Há muito cheguei à conclusão de que não poderia admitir assistir a produções que pudessem afrontar os meus sentidos mais do que já eram diariamente, através dos noticiários. Afinal, o tudo de ruim já era uma realidade cotidiana aqui e em qualquer outro lugar do mundo. Portanto, qual o sentido de, ainda em meu lazer, buscar esse tipo de conteúdo?
Na minha concepção de saudáveis valores pessoais não coube jamais o feio, o rude e o maléfico, mesmo que travestido da realidade possível de ser constatada ao meu lado. Sempre acreditei que assisti-los era o mesmo que fazer deles uma espécie de elixir de emoções.
Sinceramente, evitei sempre contaminar a minha mente, mesmo que essa atitude fizesse de mim uma paria em qualquer grupo. Entendi que esse tipo de conteúdo, deliberadamente reverberado pelas mídias, representava uma fatia gorda do mercado consumidor, uma vez que é sabido o quanto o ser humano com ele se identifica.
A pergunta é: essa identificação é natural ou aliciada?
Esse é um tema que certamente me daria o prazer de escrever uma tese, abordando conceitos de Immanuel Kant, que defendia que o ser humano tem uma inclinação radical para o mal, mas mantém a liberdade de escolher o bem; Hannah Arendt, que criou o conceito da "Banalidade do Mal", mostrando que indivíduos comuns cometem atrocidades apenas por obedecer a ordens; e até mesmo Jean-Jacques Rousseau, que argumentou que o homem é naturalmente bom, mas a sociedade o corrompe ao impor normas e valores que vão contra sua natureza.
Todavia, preciso ser breve, o que já é um enorme sacrifício para mim. Uma vez iniciado um tema, este se desenvolve alucinadamente, ampliando os limites que entendo serem incapazes de prender a atenção de quem lê, ainda mais nos tempos atuais, onde a instantaneidade é determinante
Portanto, limito-me a descartar os apelos contidos nas chamadas publicitárias, calcadas nos grandes atores, redatores, cinegrafistas e etc., chancelados por grandes e poderosas empresas.
Lamento que, quanto mais restringimos os entendimentos, seja lá do que for, mais próximos ficamos da banalidade perniciosa, ampliando inconscientemente toda e qualquer distorção capaz de ferir a moral e a ética, absolutamente necessárias à convivência.
Como sou teimosa, busco a ampliação dos meus conhecimentos optando por substituir as monumentais novelas, filmes e seriados pelas leituras, principalmente dos grandes pensadores da humanidade.
Afinal, mesmo não sendo lembrados como deveriam, eles ainda estão aqui, resistentes e poderosos, mostrando os prós e os contras desta humanidade complexa, mas absolutamente linda em sua diversidade.
Então, safadinha que jamais neguei ser, opto por fechar os olhos escutando uma bela música que me induz a relembrar lugares, pessoas, beijos, abraços e um tudo mais que experimentei, e até mesmo os que apenas desejei.
E aí... Jesus! Quando abro os meus olhos, sinto-me plena e prontinha para amar, seja lá o que for que ofereça colorido à minha alma, por um instante que seja.
Regina Carvalho - 19.6.2026 - Pedras Grandes, SC
Ilustração- IA
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