Depois que a minha trupe, após uma torcida vibrante em prol da nossa seleção que se apresentou meia boca (fazer o que, né?), rumou para as suas casas, estiquei-me, como de hábito, no sofá. Dormi como uma pata parida. Quando meio que acordei, a novela, o jornal e tudo mais na televisão havia acabado.
Como uma sonâmbula programada, cheguei até o meu quarto e voltei a dormir. É lógico que, seis horas depois, meu sempre pontual relógio biológico acionou o despertador. Então, cá estou às três desta manhã de domingo, a mil por hora, enquanto, lá fora, tudo se apresenta silenciosamente lento, como se todos dormissem. Mas sei que não é bem assim.
Para não relaxar na disciplina, como de hábito faço, realizo a resenha dos últimos acontecimentos. Aí, penso que realmente esta Santa Catarina sempre me foi extremamente surpreendente, já que por aqui jamais faltaram emoções. Ou será que eu é que não as deixo fenecer, haja o que houver, esteja eu aqui ou em qualquer lugar deste mundo de meu Deus?
Penso, então, num poema inesquecível que escrevi ainda adolescente, onde eu me programava emocionalmente para não deixar de colocar na prática de cada cotidiano todos os meus desejos, mesmo com medo ou desanimada, ao afirmar que os sonhos são os mais profundos, pois afastam a dor e levam embora o pranto.
Suavizava, assim, os benditos instantes onde se ficar o bicho come, se correr o bicho pega. Acima de tudo, programava-me para valorizar as realidades, extraindo delas o quinhão do tudo de bom sempre existente. Algo que nem sempre se mostra ostensivamente, mas que está lá, quietinho, só aguardando os mais tenazes buscadores da tal felicidade.
E aí, a sorridente e absolutamente irreverente vó Regina, setentona assumida, afirma sem titubear, dia após dia, que essa tal felicidade é tão efêmera quanto a própria vida. Portanto, segurá-la pelo chifre é fácil, já que, com o dinheiro, quase tudo é possível. Mas fazer dela uma parceira continuada, sempre disposta a aparecer quando até mesmo dela sequer estamos lembrando devido aos atropelos cotidianos, precisa-se, acima de tudo, de resiliência, otimismo e uma tenacidade só reservada aos não preguiçosos, pois é uma árdua e continuada tarefa.
Lembro neste instante de Deus, entre um gole e outro do meu pingado. Afinal, sem nele crer, tudo fica quase impossível, já que a fé é um estimulante fantástico, já há muito provado pela ciência.
Ela não necessariamente se encontra entre as paredes de qualquer exercício religioso, mas, acima de tudo, no interior de cada ser humano que decididamente abre as portas de si e o mantém agasalhado com os cobertores sagrados do amor e da confiança. Confiança em seu discernimento em só nos oferecer, na exata medida evolutiva, o que verdadeiramente pedimos e nos esforçamos para conseguir...
Acredito que não estamos nesta maravilha que chamamos de vida somente a passeio. Portanto, para quem como eu é cristão apaixonado pela simplicidade da lógica de Jesus, há sempre um poderoso lembrete à disposição numa passagem bíblica em Mateus 7:7-8, que afirma sem rodeios: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Porque todo aquele que pede, recebe; e o que busca, acha; e ao que bate, abre-se-lhe”. E isso se repete em Marcos 11:24, onde Ele enfatiza a oração como meio eficaz de chegar a Deus.
Concluo sem dúvidas na generosidade divina em atender os desejos de todos que pedem, seja rezando ou apenas pensando sem tréguas. Ficando apenas a cargo destes a escolha dos pedidos, assim como a humildade em reconhecer que, muitas vezes, tenhamos que morrer, não literalmente, para recebê-los, a fim de podermos usufruir plenamente deles.
Simples assim? Jamais...
Penso, então, que saber ler também não inclui, necessariamente, saber interpretar. O que é lamentável, levando muitas pessoas à insensata dedução em crer que o que recebem não é justo e muito menos necessário, assim como a confundirem efeitos sistêmicos com a vontade divina.
Regina Carvalho- 14.6.2026 Pedras Grandes SC
Ilustração- IA

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