sexta-feira, 26 de junho de 2026

DO PALEOLÍTICO AO ANTROPOCENO

A mente humana é um labirinto fascinante e, às vezes, exaustivo. Quando ela resolve girar a mil por hora, o corpo padece na tentativa de acompanhar o ritmo. Não adianta pedir trégua por vontade própria. O universo, sábio e implacável, simplesmente decide nos parar na marra. 

É nessa inoperabilidade forçada, longe da correria da minha rotina matinal de sempre, que me pego mergulhada em documentários de canais fechados. Ali, longe dos caminhos já trilhados e direcionados da grande mídia tradicional, descubro conexões que muitos julgariam inúteis para a nossa pressa cotidiana. Ledo engano. Na verdadeira vivência e convivência humana, absolutamente tudo se relaciona.


Fiquei pensando no Paleolítico, aquela primeira fase da nossa história que começou há impressionantes 2,5 milhões de anos. O homem daquela época aprendeu a dominar o fogo, esculpiu as primeiras ferramentas de pedra e desenvolveu as formas primordiais de comunicação oral e expressão visual. Não havia pressa, mas havia movimento. 

A grande virada, no entanto, veio com a sedentarização e o nascimento da agricultura, abrindo alas para o Holoceno, uma era geológica de estabilidade climática perfeita. Foi essa calmaria no clima que nos permitiu fincar raízes, estocar bens e, ironicamente, estruturar as primeiras guerras e violências coletivas organizadas. O progresso humano sempre cobrou o seu preço.

Hoje, cruzamos as fronteiras do tempo e desembarcamos na chamada Era Digital, ou, como preferem os cientistas e historiadores, no Antropoceno. Pela primeira vez na trajetória do planeta, uma única espécie, a nossa, tornou-se a força dominante capaz de moldar, transformar e, insistentemente, destruir a geologia e o clima da Terra. Vivemos em uma contradição biológica profunda. 

Alcançamos o ápice absoluto do desenvolvimento tecnológico, navegamos por redes sem fio mundiais, mas enfrentamos a maior ameaça à nossa própria sobrevivência a longo prazo. 

O futuro bate à porta com nações como a Austrália já articulando acordos diplomáticos para acolher os primeiros refugiados climáticos do mundo.

Mas calma, Regininha! É preciso dar um tempo para respirar. Hoje é sexta-feira e os meus queridos leitores estão com os olhos e os corações voltados para direções muito mais festivas. Entre os dilemas do Antropoceno e a realidade imediata, o coração do nosso povo bate mais forte pela Copa na segunda-feira e pelas fogueiras do Pedrão. 

Que o peso da história e o destino das nações fiquem guardados na gaveta até que a poeira das comemorações baixe. Afinal, celebrar o presente também é uma forma legítima de fazer história.

Regina Carvalho, 26 de junho de 2026 – Pedras Grandes, SC.

Ilustração-IA

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