domingo, 21 de junho de 2026

O MAL CONFUNDE E DESCONHECE LIMITES

Quando passei a ouvir as argumentações do ilustríssimo Juiz do STF, Dr. André Mendonça, ponderando em relação às suas parciais conclusões no processo do Banco Master do qual é relator, confesso que, até então, não havia prestado atenção nele e no seu desempenho. 

Havia outros que se sobressaíam, atraindo para si os holofotes da mídia, acirrando as dúvidas de quem os ouvia, alimentando disputas partidárias e falsas verdades. Todavia, eis que surge o Dr. André, despertando em seus pares sentimentos controversos em seus pareceres jurídicos e que pude alcançar com minha atenção, mesmo desprovida de qualquer maior conhecimento relativo aos trâmites constitucionais nos quais os mesmos se apoiavam.


Todavia, como em tudo e por tudo uso a lógica entre os fatos para entender os caminhos da coerência, embasando-a nas posturas éticas que são determinantes para uma universalidade de propósitos que ditam ações, reações e, consequentemente, realidades também possíveis de serem constatadas a favor ou contra o bem comum, de repente, lá estava ele. 

Como relator do caso do Banco Master, explanando serenamente, mas absolutamente seguro de suas argumentações, o quase inexpressivo meritíssimo que a todos os demais parecia ser inofensivo às bravatas costumeiras e eis que o mesmo, surpreendentemente tomado de uma força interior que poucos são capazes de compreender, torna-se figura ímpar. 

Mostrou ousadamente o caminhar esdrúxulo que até então estava sendo usado nas avaliações de um tribunal que deveria ser o mais isento de interesses espúrios, por ser o mais alto e determinante defensor dos ritos constitucionais do país.

E aí, peço perdão aos conhecedores e aplicadores das leis pela minha ousadia, rogando que apenas levem em conta a visão de uma cidadã anônima como a maioria do povo, mas que, além de apaixonada por este Brasil varonil, ainda se permite pensar. Comparo posturas e seus efeitos quando o assunto envolve a ética e suas consequências nas realidades que se estampam, as quais são impossíveis de não serem enxergadas e sentidas, a não ser que se esteja auferindo vantagens pessoais.

A indecência moral, quando não contida, silenciosa se espalha como um vírus, contaminando tudo e a todos, levando alguns mais resistentes a pensarem que são estúpidos e incapazes por não seguirem o fluxo das manadas sociais, permanecendo como páreas pensantes em meio às velhas e malditas conceituações de narrativas do que seja o certo, cuidadosamente elaboradas, que persistentemente se mantêm vivas à custa da ignorância em quase todos os aspectos, a qual eles mesmos, incansáveis, se encarregam de fomentar com um único objetivo: destruir qualquer avaliação crítica que não seja a favor deles.

Portanto, quando apenas uma pessoa figurante como eu e outros mais neste teatro das convivências humanas consegue se manter imune e ainda se atreve a mostrar que não é bem assim, aos poucos, como um bendito antibiótico, vai curando aqui e acolá a teimosa infecção. Composto por um único componente químico, que é a certeza de que, se o mal é capaz de se propagar, também o bem é capaz de curar, mesmo que demore mais que o desejado. Afinal, é sabido o quanto o mal, quando alastrado em muitos órgãos, é difícil de ser debelado, ainda mais porque tem o poder de enfraquecer toda e qualquer resistência, levando o paciente ao desânimo e à aceitação de seu destino.

Pessoalmente, regozijo-me quando, ao ouvir as argumentações de alguém que, mesmo sendo um juiz da mais alta corte, audaciosamente embasado na lógica do ideal a ser buscado e vivenciado, contraria a força bruta da correnteza dos interesses e vaidades sem limites que o cercam e permanece firme na luta da libertação de um povo de uma ínfima parcela de chacais, dos mais de 220 milhões de habitantes destas terras tupiniquins.

 Percebo-me sorrindo e repleta de esperanças, o que me reforça a certeza de que tudo sempre valeu a pena, já que, por ser fiel aos meus entendimentos a despeito de todas as perdas e das avaliações negativas de muitos, eu não passe de uma gauche nesta vida.

Aproveito este texto para rogar a Deus proteção ao nobre Juiz, evitando que o mesmo seja exposto a acidentes terrestres e aéreos, como já ocorreram com outros que insistiram na distinção do certo e do errado, na ética e na decência, sabedores que somos de que o mal não tem limites, capaz de confundir os mais nobres corações.

Regina Carvalho – 21.06.2026 – Pedras Grandes, SC.

Ilustração-IA

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O MAL CONFUNDE E DESCONHECE LIMITES

Quando passei a ouvir as argumentações do ilustríssimo Juiz do STF, Dr. André Mendonça, ponderando em relação às suas parciais conclusões no...