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COPIANDO PLATÃO

             Em todos os dezembros, fecho o ano de séries de crônicas sociais, onde durante meses tive a bendita oportunidade de poder expressar meus pensamentos e entendimentos falando de compreensão, respeito, ética, cidadania, fraternidade e de tudo o mais que a meu ver não deveria faltar nos relacionamentos humanos.

            Aliás, penso neste instante que o grande mérito do jornalista é justamente estar atento para não desanimar frente à sua fundamental realidade em ser repetitivo, uma vez que tenho a convicção de que não pode e não deve desistir em descrever fatos, informar ou, como todo cronista, fazer o que faço, focar a vida realçando o cotidiano em suas grandezas e mazelas, sempre aparentemente muito iguais.

            Neste ano de 2011, mais uma vez deitei meus olhares de interesse e participação na área da educação, tentando mais uma vez compreender o porquê tanto abandono quando tanto poderia se realizar.

            Como sou abusada, dei palpites, desenvolvi alternativas e até delineei uma “escola ideal”, tal qual Platão em sua “polis”, afinal esta é minha forma de expressar liberdade, lamentavelmente sem os royalties para bancar, porque se o recebesse, mesmo que fosse à proporção de 30% do que as cidades atualmente recebem por esse Brasil afora, com certeza eu e todos os idealistas de plantão, certamente faríamos “milagres”, não só na educação, como na saúde, no saneamento básico e nesta persistente miséria possível de ser encontrada nos guetos de qualquer cidade, até mesmo aqui entre nós, nesses paraísos terrenos que são Itaparica e Vera Cruz.

            Quando escrevo dou pausa e fecho os olhos para enxergar “aquela” merenda de qualidade, aquele professor bem pago conforme o grau de sua competência, empenho e comprometimento, e até consigo dimensionar um amparo mais honesto e justo a todo ser humano que sorri, chora, ama e que deveria sentir-se existindo com dignidade, neste mundo onde “Deus” é tão venerado e “Jesus” tão plotado em carros, muros e panfletos. Entretanto, escrevendo ou não sou obrigada a estar com os olhos abertos enxergando sempre uma cruel realidade, que eu e você teimamos em denunciar com os nossos modos peculiares, na esperança de sermos ouvidos, entendidos, ou,no mínimo, que consigamos mesmo muito lentamente ir despertando consciências.

            Como meu “Deus” é a vida e o meu Jesus é cada ser humano, ou não, com os quais eu me relaciono, nem que seja através da interatividade vibracional, faço então, de meus escritos uma contínua oração, de minha caneta tão somente um veículo a transmitir minhas amorosas intenções.

            Neste instante presente, agradeço tudo o que recebi de bom, principalmente o carinho e o respeito oferecidos a mim na leitura de meus escritos e espero ter podido de alguma forma, ter contribuído com os meus sonhos e ideais nos recôncavos solitários de cada consciência daqueles que porventura tenham lido minha coluna a cada mês.

          Se apenas um deles, nem que tenha apagado de suas vidas o egoísmo, a prepotência, a arrogância e o preconceito, ah!.... Bendito Deus! Eu terei cumprido os meus propósitos de ser apenas uma cronista social, escrevinhadora do universo.

            Que este final de ano seja, antes de tudo, repleto de luz na vida de todos nós.

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