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RESGATANDO AFETIVIDADE...


Como uma cidadã muitíssima interessada na educação de nossas crianças, foi com imensa satisfação que neste mês de novembro pude, in loco, constatar em parte o nível de crianças e jovens em suas caminhadas educacionais. Entretanto, fui mais além, fosse como palestrante, fosse como observadora e ouvinte, fixando-me nos olhares, nos gestuais e, como sensitiva, nas vibrações.

Sem qualquer conotação de surpresa, reafirmei minhas próprias convicções em relação à falta de sustentabilidade emocional que deveria ser a base, âncora e escala de parâmetros que, afinal, definem o perfil de cada criatura humana, esteja ela em uma metrópole ou nos mais remotos locais, desde, é claro, que haja no mínimo a presença de uma cultura atuante, daí, a necessidade em preservá-las nas suas mais significativas expressabilidades.

Estive palestrando em uma Universidade Estadual para dicentes do curso de Letras e em uma Escola de Ensino Fundamental pública para alunos da 6ª e 7ª séries. Em ambos os locais, percebi uma tensão generalizada, uma quase total falta de espontaneidade e, ao mesmo tempo, pude observar nos olhos jovens que me fixavam uma profunda insegurança, que se manifestou de formas diversificadas, mas todas bem características e igualitárias quanto aos danos que certamente proporcionam.

Meditei no quanto a escola, colégio e a universidade deveriam ser celeiros de amparo justo para que crianças e jovens pudessem em seus interiores ter a oportunidade de exercitarem suas reais naturalidades, obtendo conhecimentos diversificados, aliados a uma fonte de conscientização ética da importância do seu direito, antes de tudo, de conhecer o seu potencial, suas limitações, para com esses entendimentos ir desenvolvendo o aprendizado do conviver com o diferente e o contrário, não só dos demais, mas acima de tudo de si mesmo, evitando, assim, que suas formações escolar e acadêmica se apresentassem capengas ou tímidas.

Tive a oportunidade de também constatar o quanto essas crianças e jovens estão carentes de atenção e afetividade, afinal, mais que português e matemática, precisam de olho no olho e de uma maior ligação emocional com seus professores. Essa carência que me pareceu absurdamente expressiva,constatei que na ponta da pirâmide de formação de alunos de semestres diversificados do curso de Letras, assim como já havia constatado na qualidade de aluna do curso de Filosofia de uma Universidade Federal, a falta do enfoque do compromisso emocional, que deveria existir na relação aluno e professor, para que o convívio e o rendimento fossem de melhor qualidade, principalmente em uma era onde as pessoas estão cada vez mais individualistas, envolvidas com as suas carreiras profissionais que lhes proporcionam maiores ganhos financeiros e que oferecem maiores possibilidades de mais e mais adentrarem na competitividade consumista, deixando o lado afetivo com os filhos, irmãos, pais, vizinhos e amigos cada vez mais superficial e instantâneo.
O resultado tem sido o aumento expressivo da indiferença, da banalidade, criando distanciamentos, e esses ingredientes bombásticos produzem a violência ao separatismo afetivo e a ansiedade, agente indutor da sensação devastadora do vazio que induz à infelicidade, que por sua vez apresenta-se sem qualquer possibilidade de ser camuflada se o observador estiver atento para reconhecer ou, o que ocorre na maioria das vezes, o que é o pior, na forma absurda e cruel em que as convivências se formam, se desenvolvem e se mantém, onde o brilho falso das aparências substitui a consistência e a solidão doída a liberdade de serem o que suas naturezas desejam, que, como fato constatado, raros conseguem obter.

A cada ano tem sido mais difícil para o professor manter seus alunos com o mínimo de atenção e postura em sala de aula, seja pelo já arcaico modelo pedagógico, seja pelos fatos acima citados.

O respeito hierárquico tão saudável e indutivo a consideração aos mais velhos, mais vividos e com um mais rico acervo de conhecimento, quase não se vê, vigorando tão somente uma falsa, mas ofensiva, liberdade em dizer-se ou fazer-se o que se deseja, matando, a cada segundo, todas as possibilidades de reais integrações.

O lema generalizado, com raras exceções, de ambos os lados, é: “deixa prá lá, afinal, não vou mudar mesmo nada”.

Pois é... uma realidade distorcida é difícil de ser alterada, mas muda-se, a história da humanidade está aí para quem se interessar.

Sempre houve homens e mulheres nos redutos de seus anonimatos que são autênticos maniveladores desta roda bendita que é a vida, gerando e gerindo posturas, emoções, alargando e distribuindo conhecimentos em um encontro contínuo com a consciência própria saudável de representarem os exemplos, que mesmo lentamente são propagados e, por consequência, seguidos, mantendo, assim, vivo ideias e ideais, que afinal motivam e integram o homem como mais um ser, cuja ciência de sua essência é absolutamente exata, bem como a máquina física que o abriga é perfeita.

Façamos, portanto, cada qual a sua parte, neste contexto de vida e liberdade, com a única e irredutível responsabilidade que é a de ser feliz.

Esta é a primeira e a única mensagem a ser exercitada por mestres e alunos em sala de aula ou fora dela, em uma tarefa contínua de prazer participativo.

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