Neste amanhecer, enquanto saboreio meu pingado de café com leite, meus olhos repousam sobre uma paisagem exuberante nunca igual, sempre mutável. Ela se veste de nuances e temperamentos, adaptando-se às circunstâncias como nós.
Às vezes, chove fino, feito dores silenciosas que não gritam, mas ferem. Outras vezes, o céu faz escarcéu de águas e trovões: intenso, breve e quase sempre deixando marcas.
As alternâncias ferem menos que as estagnações. Talvez viver seja exatamente isso: moldar-se sem perder a própria forma. Porque adaptar-se não é desaparecer, é permitir-se existir em novas versões, compondo o bendito quadro da convivência.
Regina Carvalho – 29.01.2026 | Pedras Grandes
“Viver é moldar-se sem abrir mão da própria essência.”

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