É assim, com a alma em vigília e os sentidos em estado de graça, que começo os meus benditos amanheceres, esteja onde estiver.
Porque sempre houve uma janela, ainda que mínima, por onde a vida me convidasse a entrar em cena.
E o céu… ah, o céu nunca faltou. Sempre ali, cúmplice silencioso, a estimular-me a continuar.
Acordar e ser acolhida por este cenário foi mais uma das minhas escolhas ousadamente conscientes.
Nada me fascina tanto quanto oferecer o meu bom-dia a Deus
esse Deus que não se esconde,
que se deixa ver na luz,
sentir no vento
e tocar no corpo vivo da natureza.
Penso, então, no quanto fui salva pela fidelidade ao estupendamente simples.
No quanto essa escolha me sustentou quando o corpo vergava e a mente ameaçava ceder.
No quanto emoções contraditórias, ferozes e insistentes, tentaram invadir-me
e não conseguiram.
Não me devastaram.
Penso nas memórias sublimes que brotaram de dias nem sempre fáceis.
Foram elas que me ensinaram a caminhar firme,
a seguir a trajetória sem titubear,
mesmo quando o caminho parecia pedir pausa.
E percebo que esse magnífico simples nunca se fez pequeno.
Jamais foi comum, nem banal.
Porque a cada amanhecer ele regressa inteiro,
oferecendo-me, generoso, um novo bom-dia.
Hoje, ao abrir as cortinas do meu chalé na montanha,
com o mesmo fervor de sempre,
sinto-me rejuvenescida.
E agradeço.
Agradeço por mais este amanhecer
onde tudo posso mudar,
tudo posso realizar…
ou simplesmente nada fazer.
E ainda assim, estará tudo bem.
Regina Carvalho
08.01.2026 — Pedras Grandes, SC
👇A natureza sempre foi o templo mais real para o encontro com Deus.

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