Não foi o amor recente
que me tornou mais clara.
Foi a memória
esse sol tardio
que ainda aquece
as estações do corpo.
Há quem pense
que a alegria feminina
precisa de um braço
para se apoiar.
Enganam-se.
Ela precisa de céu.
Guardo na pele
danças sem plateia,
calçadas transformadas
em constelações,
passos simples
que rasgaram o tempo.
Fui levada às estrelas
sem promessas,
sem mapas,
apenas pela coragem
de quem soube olhar
para cima comigo.
E quem aprende o céu
não mendiga presença.
Escolhe.
Hoje, caminho leve
porque já fui inteira
noutra latitude da vida.
E o que vivi
não envelhece
transfigura.
Se espero,
não é por companhia,
mas por altitude.
Alguém que compreenda
que amar
não é preencher vazios,
mas reconhecer luzes.
Tenho a idade
das memórias que me sustentam,
e a serenidade
de quem sabe
que algumas estrelas
não voltam
mas também não se apagam.
E isso
é mais do que suficiente.
Regina Carvalho - 6.1.2026 Pedras Grandes SC

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