Neste amanhecer, curti até agorinha uma experiência incrível. Afinal, ao abrir a janela do quarto, nada me foi possível enxergar, já que a neblina havia encoberto a minha cabana, induzindo-me a recuar um tiquinho, sentindo uma espécie de medo, tolo e bem próprio da minha natureza que mais parece um misto inusitado de temor e prazer, quando o belo inesperado se expõe diante de mim.
Apoiei os cotovelos no peitoril da janela e deixei-me acompanhar os movimentos desta neblina que, mais do que uma ação da natureza, transformou-se em mais um gatilho, disparando a minha mente ao encontro do meu adorável Jesus.
Este Jesus, paciente e profundamente conhecedor de mim, capaz, desde sempre, de me aceitar tal como sou: birrenta, desaforada, questionadora, sem os costumeiros filtros para me dirigir a Ele, mas, acima de tudo, apaixonada.
Esse Jesus que se acostumou a ouvir os meus sucessivos pedidos, nem sempre atendidos no tempo que eu desejava, o que jamais me fez desistir, esperando vencer a sua resistência, nem que fosse pelo cansaço.
Penso que, em alguns momentos da minha vida, rompi todas as barreiras, chegando a confrontá-lo, já que eu, agradecida incessantemente pela vida e, a meu ver, uma discípula grata e reconhecida, merecia, no mínimo, uma atenção especial.
Todavia, o meu Jesus conhece bem esse meu temperamento e nem dá atenção ao meu narcisismo exacerbado, que insiste em achar que Ele estaria a meu dispor. Assim, continua surpreendendo-me com graças benditas, sempre quando o momento é adequado ou quando é de meu merecimento. Creio que seja para eu não me sentir a última gostosa bolacha do pacotão da vida.
Em momentos como o de agora, apreciando a neblina dissipar-se por entre a capoeira esverdeada à minha frente, acreditem: como uma pedinte contumaz, só peço mais um tempo para curtir, ainda mais, as delícias desta vida que simplesmente adoro.
Todavia, como também não sou apenas uma abusada, sorrio, mando beijos para um aparente vazio e abraço-me em meio aos arrepios que a safada da neblina provoca, crendo que o meu Jesus aqui está pacientemente, mas também amorosamente, amparando-me neste mais um amanhecer da minha existência.
Ele sabe que “A minha fé não é submissa; é dialogada, insistente e apaixonada.”
Então, do meu Jesus, amigo e parceiro, amor maior da minha vida, cuido eu à minha maneira. Afinal, há muito nos entendemos e não nos separamos por nada deste mundo.
Regina Carvalho — 28.1.2026
Pedras Grandes – SC

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