terça-feira, 13 de setembro de 2016

REFLETINDO


Existe um ditado popular que diz que não se pode ter tudo nesta vida.
Em diversas ocasiões, achei que tudo isto era apenas balela, já que haviam exemplos bem próximos de mim que me pareciam seres completos, pois nada parecia lhes faltar.
Ao mesmo tempo, também bem próximo era possível observar o contrário, pois havia aquelas criaturas que eram desprovidas senão de tudo pelo menos de quase tudo e este antagonismo social não só me fascinava pelo contraponto gritante, como me direcionou a inúmeros questionamentos e determinou a minha trajetória pessoal de querer entender os paradoxos da vida em relação aos sistemas sociais e até mesmo à Deus.
Comecei a achar que Deus era o chefão do separatismo, pois se nem uma folha cairia de uma árvore sem a sua vontade, por que, então, permitia a si mesmo, criar criaturas tão díspares entre si?
Que critérios ele se baseava para escolher esta ou aquela criatura e até mesmo povos inteiros a serem mais e terem mais que outros?
Por que criara o bem e o mal, se poderia tão somente criar o bem e deixar sua criação humana seguir o seu rumo dentro de padrões menos cruéis?
Para que dar mente e senso lógico a criatura humana e, ao mesmo tempo, deixa-la solta com um tal de livre arbítrio para criar seus próprios parâmetros existenciais sem sequer dar uma mãozinha de orientação?
Estaria Deus fazendo um experimento ou, tão somente, foi enredado pela própria complexidade que acabara de implantar na criatura humana, deixando, afinal, que ela mesma buscasse alternativas?
Mas ainda assim, não explicava para a minha mente curiosa as gritantes diferenças estéticas, neurológicas e emocionais.
Passei então a estudar os grandes pensadores e, não importando a origem e a época de suas buscas, confesso que percebi exatamente as mesmas dúvidas e a mesma falta de conclusão, levando-me a acreditar que cada um tentou desenhar em pensamentos e escritas um Deus de acordo com a sua capacidade em assimila-lo, deixando sempre uma larga margem para inúmeras interpretações filosóficas que são estudadas até hoje, mas também percebi que houvera muitos que preferiram, mesmo repletos de dúvidas, não fugir à regra, negando-o.
 Querer ter tudo ao mesmo tempo, provavelmente, está fora de cogitação, já que Deus não esqueceu de deixar um espaço sempre aberto as atrações contraditórias que com o auxílio do livre arbítrio, circunstâncias vivenciais, origem e coisa e tal, deixou reservado para a sua criação, sempre o mal como um predisposto a atuação, manchando assim o ideal do perfeito, afinal, só ele o poderia ser.

Mas seria parte do perfeito a criação do mal?

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