Pular para o conteúdo principal

CHUMBO TROCADO NÃO DÓI


Pelo menos não deveria doer, ainda mais em época eleitoral, mas não é assim que acontece, provavelmente por falta de consistência de propósitos reais, ao longo do tempo, desviar-se do foco, transformou os discursos em batalhas verbais tão inconsistentes, quanto inúteis a qualquer orientação ou propósito sério aos cidadãos.
Cada item falado é um genérico mesclado com uma dosagem adocicada de emoção que confunde e fatalmente engana, levando o povo, em sua maioria simples, a conclusões eufóricas, fazendo das pessoas marionetes de uma sempre desejada glória que se perpetua, tão somente, como esperança circense dos espetáculos repetitivos, que chamam de democracia, pena que seja sempre reservada à poucos.
E junto a este toma lá, dá cá de abusos e agressões, inserem-se os “vou fazer”, mas sempre sem dizer como, não esquecendo jamais da reafirmação do “nada foi feito” e do “tá tudo destruído”, golpe final de misericórdia nos corações sofridos dos mais humildes, atingidos em cheio nas frustrações, absolutamente presentes nas realidades de cada um dos espectadores, que inflamados pelos também sempre presentes animadores de torcida, se contorcem em aplausos e gritos de vitória.
E o pior é que geralmente ganham, afinal, já assistimos a este filme inúmeras vezes, levando consigo nos quatro anos que se sucedem, a gloria da vitória, mas deixando nos redutos de seus ardorosos discursos, o eco da dor e do abandono de uma plateia inconsciente.

Chumbo trocado não dói, mas rende um punhado de votos.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OPRESSÃO CULTURAL

Acreditei estar me especializando na área da observação do comportamento humano e, por toda a minha vida, pensei estar aprendendo tudo quanto poderia, e, no entanto, absorvida com a diversidade infinita que me cercava e totalmente fascinada com o que majestosamente me apresentava a cada instante, me perdi totalmente, e, de repente, assim sem qualquer aviso prévio, vejo-me diante de minha não menos infinita ingenuidade avaliativa e percebo, então, o quanto nada sei em relação a capacidade humana em se adaptar às circunstâncias, ou a buscar posições favoráveis à suas conveniências pessoais de adaptabilidade social.Há alguns anos, venho tentando entender o porque de minha paixão por Itaparica, visto que conheci inúmeros outros locais, não menos bucólicos e acolhedores. E agora, como um raio de luz esclarecedor, posso compreender que em minhas buscas pessoais de aperfeiçoamento, encontrei aqui, neste local encantador, todos os subsídios necessários a um aprendizado mais concreto e expli…

O FALSO BOM SAMARITANO...

Há algumas horas atrás, assistia à uma uma aula de Filsosofia da Educação, onde em determinado momento falávamos em interação com o Professor Wilson sobre justamente a humanização de nós humanos.

Cheguei a argumentar que somos incapazes de atingir esta humanização ideal exatamente por que não somos educados ao entendimento da dimensão de nossa própria existência, nem no conceito individual quanto mais em relação a um todo que sequer conseguimos enxergar e muito menos sentir.

Estamos divididos em três facções vivenciais, ou seja: aqueles que crêem em Deus e são religiosos, aqueles que crêem, mas nao são religiosos, e aqueles que não crêem.

Todos, sem exceção, vagueiam em seus cotidianos sem ter qualquer entendimento real do quanto estão desperdiçando seus minutos presentes e, sem sem se dar conta, permanecem repetindo posturas que em sua maioria no máximo os robotizam, tirando lenta, mas sistematicamente, toda e qualquer potencialidade interior que é capaz de impulsioná-los a se verem com…

AS MULETAS DO SÉCULO

A crueldade sempre esteve presente nos relacionamentos humanos, numa necessidade quase visceral de se estar torturando o outro, mesmo em pequenas escalas não tão explicitamente apresentadas, mas em doses homeopáticas, como é possível de se observar em qualquer instância do relacionamento humano. Precisamos evoluir...
Precisamos urgentemente dar uma parada existencial e refletir sobre tudo que vivemos, pensamos e sentimos e, principalmente, fazer um reflexão em tudo que achamos que deixamos de viver, pensar e sentir, não como um balanço de perdas e ganhos, mas como um gesto de carinho conosco, numa busca amiga de novos recursos que possam aliviar as dores do mundo que arrebanhamos e que nos flagelam, adoecendo e descaracterizando o que de melhor certamente ainda nos resta, que é a nossa genuinidade.
Afirmamos que não há tempo a se perder, e aí, por infinitos caminhos, o acaso de nossa insanidade nos faz parar, geralmente, tarde demais para qualquer retoque que se pensou em dar numa vida …