Pular para o conteúdo principal

ORATÓRIA, UMA ARMA QUE PODE SER MORTAL


Se tem algo nesta vida que sempre admirei foi a capacidade do ser humano em relação a oratória.
O poder de convencimento em cima de palavras sejam elas fundamentadas em fatos ou simplesmente, fundamentadas numa capacidade generalista que empolga pela grandeza de argumentos que dentro dos lógicos, fazem sentido, mas que quando analisados sem paixão, não passam de firulas apelativas com o poder de envolvimento das massas, pois, quem consegue não ser convencido do ideal sonhado?
Votei pela primeira vez aos 30 e poucos anos e foi em Leonel Brisola para governador do Rio de janeiro e me lembro com paixão de seus discursos quase que intermináveis e que faziam absoluta lógica ao ponto de me fazer esquecer de seu histórico de fazendeiro dos pampas que de pobre só mesmo desejava os votos e a credulidade de acreditar no seu socialismo de abastado.
Mas ainda assim eu o admirava, pela eloquência de seus argumentos utópicos, totalmente fora da realidade social e cultural do Brasil e especialmente de meu Rio de Janeiro e lhe dei o meu voto, ajudando-o a se tornar Governador do Rio de Janeiro e desta eleição, aproveitou-se tão somente o Professor Darci Ribeiro com o seus CIEPS que mesmo mal distribuídos, demonstrou na prática o que poderia ser feito para a condução de uma educação formal mais eficiente, abrangendo a criança e sua família num todo.
De lá para cá, fui me especializando em ouvir e interpretar os grandes oradores, filtrando suas firulas, sonhos e devaneios, na busca constante de ver um pouco mais de realidade em seus discursos emocionantes e envolventes que na realidade nada mais dizem que o lógico que se tornou banal com o qual nos acostumamos a sonhar.
O sonho da cidade ideal, quem não o tem?
O desejo de num piscar de olhos, as mazelas se desfazerem.
Mas é preciso compreender que milagres raramente acontecem e que até 2018, estaremos atravessando mais um bom tempo de um governo de Estado, absolutamente alheio a nossa Itaparica e totalmente falido para o grande Brasil que nele confiou e que, os recursos continuarão a ser minguados por que a cada dia, a fonte lá vai secando graças a Bendita lava Jato que passo a passo está retirando do mercado os pulhas e incompetentes, seja direta ou indiretamente.
Portanto, prefiro acreditar nos simples com pouca capacidade oratória, mas repletos de realizações pessoais para falar, mostrando.
 Prefiro os analfabetos sérios e respeitosos que fazem de suas gestões lições de respeito público.
E continuarei admirando os grandes oradores, como admiro os poetas, pintores e atores em suas benditas representações artísticas.
Mas o meu voto, não levam mais.

Pois, prefiro gente que já provou gostar de gente.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OPRESSÃO CULTURAL

Acreditei estar me especializando na área da observação do comportamento humano e, por toda a minha vida, pensei estar aprendendo tudo quanto poderia, e, no entanto, absorvida com a diversidade infinita que me cercava e totalmente fascinada com o que majestosamente me apresentava a cada instante, me perdi totalmente, e, de repente, assim sem qualquer aviso prévio, vejo-me diante de minha não menos infinita ingenuidade avaliativa e percebo, então, o quanto nada sei em relação a capacidade humana em se adaptar às circunstâncias, ou a buscar posições favoráveis à suas conveniências pessoais de adaptabilidade social.Há alguns anos, venho tentando entender o porque de minha paixão por Itaparica, visto que conheci inúmeros outros locais, não menos bucólicos e acolhedores. E agora, como um raio de luz esclarecedor, posso compreender que em minhas buscas pessoais de aperfeiçoamento, encontrei aqui, neste local encantador, todos os subsídios necessários a um aprendizado mais concreto e expli…

Os professores: Um “novo” objeto da investigação educacional?

Houve um tempo, afinal nem tão distante, em que a função da escola era prioritariamente ensinar disciplinas que contribuíam nos universos de cada criança, despertando-as em suas inclinações naturais, na construção de seu futuro perfil profissional e pessoal.
Também era no ambiente escolar que a criança exercitava a convivência, não só com o contrário, mas principalmente com o diferente, deixando aflorar os ensinamentos oriundos de seu núcleo familiar.
Era comum ouvir-se: “a educação vem do berço”.
E este berço, não necessariamente precisava ser abastado economicamente e muito menos letrado, pois havia os conceitos pré-estabelecidos, onde as posturas respeitavam os limites do alheio, criando-se assim normas socais de conduta, não só externa, mas antes de tudo em meio à própria família.
Nesta época a que me refiro, havia uma distinção entre as atribuições tanto da família como da escola, assim como sob nenhuma circunstância esperava-se do mestre qualquer atributo fosse materno ou paterno, a…

O FALSO BOM SAMARITANO...

Há algumas horas atrás, assistia à uma uma aula de Filsosofia da Educação, onde em determinado momento falávamos em interação com o Professor Wilson sobre justamente a humanização de nós humanos.

Cheguei a argumentar que somos incapazes de atingir esta humanização ideal exatamente por que não somos educados ao entendimento da dimensão de nossa própria existência, nem no conceito individual quanto mais em relação a um todo que sequer conseguimos enxergar e muito menos sentir.

Estamos divididos em três facções vivenciais, ou seja: aqueles que crêem em Deus e são religiosos, aqueles que crêem, mas nao são religiosos, e aqueles que não crêem.

Todos, sem exceção, vagueiam em seus cotidianos sem ter qualquer entendimento real do quanto estão desperdiçando seus minutos presentes e, sem sem se dar conta, permanecem repetindo posturas que em sua maioria no máximo os robotizam, tirando lenta, mas sistematicamente, toda e qualquer potencialidade interior que é capaz de impulsioná-los a se verem com…