Pular para o conteúdo principal

Dê a César o que é de César...


Os “quintos dos infernos” podem estar bem próximos de cada criatura humana sem que ela sequer se esforce para tanto, basta que se descuide da observância das circunstâncias de seus instantes de convivência sistêmica.
“Dê a César o que é de César” pode ser subdividido em dois planos.
Um não pode interferir na qualificação do outro, pois cada qual tem o seu papel na existência humana, uma vez que foi o próprio humano a idealizar ambos, que são o plano material e o plano espiritual.
Plano material é o que se toca, se compra e se troca. É o plano das exigências, das necessidades, do imponderável, do palpável.
Já o plano espiritual é o que não se vê, não se ouve, não se toca. É o plano do não pensado, do não sentido, do apenas ponderável.
Portanto, o “Dê a César o que é de César” quer na realidade frisar que não há correlação entre ambos, a não ser na capacidade assimilativa a de cada criatura na sua dedicação a buscar no plano material o devido polimento para que ao atingir o plano sensorial possa estar devidamente preparado, inclusive e principalmente para colocar-se de forma natural e suave a qualquer nossa etapa evolutiva.
Enquanto permanecermos neste plano terreno temendo qualquer tipo de punição, após a transmutação, estaremos efetivamente atrasando qualquer possibilidade evolutiva, pois devemos, sim, apenas e tão somente, usufruirmos desta expressabilidade de forma natural, respeitando a nós mesmos e a tudo com o qual convivemos, sejam eles visíveis ou não, tocáveis ou não, mensuráveis ou não.
A plenitude desejada e buscada através de estudos, renúncias, devoções, jejuns e etc., como ponto a ser conquistado transcendentemente, só será alcançado se vier a ser conquistada no plano presente e mutável.
Afinal, seremos exatamente no plano que nos aguarda, exatamente como nos encontramos no plano atual e como não sabemos a data e o instante de nossa transmutação, devemos, portanto, ficar atentos aos nossos instantes presentes, pois certamente não serão os últimos, mas os únicos que determinarão nossa condição energética planetária.
Cuidar-se devidamente, respeitando suas reais necessidades, sem que haja esforço, renúncia e doação amorosa consigo mesma para decifrar cada item de suas necessidades em uma identificação cuidadosa deve ser o objetivo desta ou de qualquer caminhada evolutiva, onde ter precisa estar em consonância com o ser.
E neste aspecto que, afinal, é o único que valha qualquer interesse maior, não portas que delimitem e tão pouco um César a abusar ou adentrar na seara alheia.
O quinhão de cada criatura humana é único e intransferível, sendo no máximo porto de atracagem, desembarque e acolhimento, jamais campo produtivo de reflorestamento, mesmo que estejamos falando de maternidade e paternidade, que são meios naturais de desenvolvimento e escoamento de vida, mas jamais celeiro de armazenamento.
As aproximações reais se fazem através das afinidades energéticas que por sua vez possuem autonomia de serem e de quererem buscar as suas próprias, não cabendo amarras, grades ou qualquer tipo de aprisionamento ou indução.
Daí os inúmeros desencontros, perdas e sofrimentos.
“Dai a César o que é de César” nada mais significa que deve a criatura humana tomar de seu próprio copo e comer de seu próprio pirex sem inversões das finalidades cabíveis a cada componente de vida e liberdade.

Compreendes?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OPRESSÃO CULTURAL

Acreditei estar me especializando na área da observação do comportamento humano e, por toda a minha vida, pensei estar aprendendo tudo quanto poderia, e, no entanto, absorvida com a diversidade infinita que me cercava e totalmente fascinada com o que majestosamente me apresentava a cada instante, me perdi totalmente, e, de repente, assim sem qualquer aviso prévio, vejo-me diante de minha não menos infinita ingenuidade avaliativa e percebo, então, o quanto nada sei em relação a capacidade humana em se adaptar às circunstâncias, ou a buscar posições favoráveis à suas conveniências pessoais de adaptabilidade social.Há alguns anos, venho tentando entender o porque de minha paixão por Itaparica, visto que conheci inúmeros outros locais, não menos bucólicos e acolhedores. E agora, como um raio de luz esclarecedor, posso compreender que em minhas buscas pessoais de aperfeiçoamento, encontrei aqui, neste local encantador, todos os subsídios necessários a um aprendizado mais concreto e expli…

O FALSO BOM SAMARITANO...

Há algumas horas atrás, assistia à uma uma aula de Filsosofia da Educação, onde em determinado momento falávamos em interação com o Professor Wilson sobre justamente a humanização de nós humanos.

Cheguei a argumentar que somos incapazes de atingir esta humanização ideal exatamente por que não somos educados ao entendimento da dimensão de nossa própria existência, nem no conceito individual quanto mais em relação a um todo que sequer conseguimos enxergar e muito menos sentir.

Estamos divididos em três facções vivenciais, ou seja: aqueles que crêem em Deus e são religiosos, aqueles que crêem, mas nao são religiosos, e aqueles que não crêem.

Todos, sem exceção, vagueiam em seus cotidianos sem ter qualquer entendimento real do quanto estão desperdiçando seus minutos presentes e, sem sem se dar conta, permanecem repetindo posturas que em sua maioria no máximo os robotizam, tirando lenta, mas sistematicamente, toda e qualquer potencialidade interior que é capaz de impulsioná-los a se verem com…

CONSIDERAÇÕES SOBRE A PRESTAÇÃO DE CONTAS DO PRIMEIRO QUADRIMESTRE DE 2018

Estive, como sempre, presente na Câmara Municipal de Itaparica por ocasião da prestação de contas que, diga-se de imediato, foi didaticamente explicada ao público presente, que se resumia em sua maioria a funcionários da própria prefeitura e assessores diretos da gestão. No entanto, todo o evento foi transmitido ao vivo pela sua Rádio Tupinambá FM. Acompanhei os itens apresentados com a mente aberta ao entendimento, mas reconhecendo as minhas limitações contábeis, deixando-me ao direito de apenas buscar dados que explicassem os gastos em relação à arrecadação que, na avaliação de pessoa comum do povo, pareceram-me elevados ao pensar na precariedade em que a cidade vem vivenciando o seu cotidiano. Em vista desta premissa, fui registrando algumas perguntas que as explicações da especialista em finanças, assim como a Controladora do município, não foram capazes de esclarecer, até porque, não cabia a nenhuma delas tecer considerações sobre as decisões da gestora em relação ao destino das ve…