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APOLOGIA À VIOLÊNCIA


O último lançamento musical de Gabriel Pensador seria perfeito se lançado na Finlândia ou em qualquer outro país com índices educacionais mais expressivos, com certeza seria menos literalmente entendido, mas no Brasil, onde a violência em todos os seus aspectos sociais e humanos é a tônica maior, torna-se mais um incentivo à revolta e às soluções imediatistas e superficiais.
E como matar o presidente e toda a corja de corruptos que, afinal, se institucionalizou é tarefa quase impossível, cognitivamente interpretamos que para a nossa libertação, só nos resta violar o mais próximo que, de alguma forma, se assemelha aos nossos opressores.
Bom seria que ao invés de incentivar qualquer tipo de violência sob a camuflagem de arte, artistas e intelectuais que dispõem de luz midiática levassem ao povo o entendimento mesmo que superficial do senso de pertencimento, razão maior da fraqueza cidadã que abriu portas e janelas para o inadequado.
O que tenho observado é a indução a um povo já sem qualquer resquício em si de entendimento político e social, a trocar o seis por meia dúzia, numa clara e perversa ideologia, moldada nos critérios dos interesses partidários.
No cenário público e social em que vivemos no Brasil de forma arbitrária nos últimos anos, nada e nem ninguém se salva, levando-me a crer que as reais “vítimas de golpes”, somos nós, a cada instante, que desnorteados, estamos como folhas ao sabor dos ventos, buscando um pouso salvador sem nunca encontra-lo, pois falta-nos rumo.
Penso então, que para alguém como eu, que vivenciou os benditos “anos dourados”, nada hoje faz sentido.
Desculpe-me a franqueza em admitir não aceitar qualquer tipo de banalidade que busca à inversão dos valores que até podiam não ser perfeitos, e certamente não o foram, mas que representavam margens seguras na navegação dos jovens, norteando limites, indicando opções, certamente também longe de serem perfeitas, mas, pelo menos, nos amparavam, além de nos servir de inspiração ao não menos bendito respeito na convivência de um povo de uma nação jovem e ainda em construção.
A contemporaneidade do tudo pode, tem nos derrotado e sequer nos apercebemos.

Isso sim, mata e nada constrói, pois a cada dia apenas recolhemos os entulhos, numa tarefa desgastante onde todas as belezas da vida e do ato de viver perdem qualquer lógica.

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