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O maior cego é o que não quer enxergar

Velho ditado, velha sabedoria daqueles que foram um pouco mais além da visão corriqueira. Durante dois dias, precisei circular por Salvador, claro que sempre num bom carro com ar condicionado e ainda assim, cruz credo, não via a hora de voltar para a minha amada Itaparica, determinada a brigar com qualquer um que venha me dizer que a cidade está um caos. Naturalmente que vou concordar sempre que neste local simplesmente maravilhoso, não deveria existir algumas mazelas históricas, principalmente a miséria, o analfabetismo, a fome, o lixo a cada esquina, assim como também vou concordar que durante anos fomos sistematicamente abandonados pelo governo do Estado e que por esta fundamental razão, a violência vem crescendo no mesmo ritmo, obrigando-nos a gradear cada vez mais as nossas residências e comércios. Também vou lamentar que nossos gestores tanto do executivo quanto do legislativo, poderiam ter-nos oferecido bem mais e que nós, população, deveríamos ter cobrado também bem mais, não como voz isolada, mas unidos, num cordão de solidariedade tão poderoso, quanto o que se forma para eleger cada um deles. Todavia, no frigir dos ovos, precisamos reconhecer que ainda vivemos em um local de pessoas amistosas, de ambiente acolhedor e cuja violência, ainda nos permite tomar um banho de mar noturno ou de sentarmos à beira mar para tomarmos aquela cervejinha gelada, sem medo de ser feliz.

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