Pular para o conteúdo principal

“MOCORONGO”

Quem se lembra desta gíria? Ela foi muito usada até os anos sessenta e significava algo sem elegância, gosto, totalmente fora de contexto. Geralmente era direcionado às pessoas que não sabiam como, nem onde usar roupas adequadas em cada lugar. Pessoas “mocorongas” também eram aquelas que gostavam de exibir suas joias, casas e carros em excesso, bem próprio dos novos ricos, o que é, ainda, possível de ser encontrado nos dias atuais, até mais que antigamente, pois a vaidade dos inúmeros proletários que ascenderam a poderes e dinheiro, fez nascer uma nova casta brasileira que precisa exibir as conquistas como se cada uma fosse uma bofetada que oferecem a uma elite cretina que, até então, os escravizava. E aí, o festival dos horrores do mal gosto é encontrado em qualquer lugar e a qualquer hora, servindo de parâmetros a outros que passam a sonhar as mesmas perspectivas, destoando cada vez mais o belo e o adequado, que certamente é o simples e o sempre menos em relação a qualquer ostentação. Mas o malefício maior é sempre a arrogância que se desenvolve na mesma proporção da “mocoronguice”, fruto da total ignorância do que seja educação, ética e elegância pessoal, atributos que, até com muito empenho, pode-se aprender nas escolas, mas jamais em lojas de departamento. “Mocorongo”, portanto, é todo aquele que finge ser o que jamais será.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OPRESSÃO CULTURAL

Acreditei estar me especializando na área da observação do comportamento humano e, por toda a minha vida, pensei estar aprendendo tudo quanto poderia, e, no entanto, absorvida com a diversidade infinita que me cercava e totalmente fascinada com o que majestosamente me apresentava a cada instante, me perdi totalmente, e, de repente, assim sem qualquer aviso prévio, vejo-me diante de minha não menos infinita ingenuidade avaliativa e percebo, então, o quanto nada sei em relação a capacidade humana em se adaptar às circunstâncias, ou a buscar posições favoráveis à suas conveniências pessoais de adaptabilidade social.Há alguns anos, venho tentando entender o porque de minha paixão por Itaparica, visto que conheci inúmeros outros locais, não menos bucólicos e acolhedores. E agora, como um raio de luz esclarecedor, posso compreender que em minhas buscas pessoais de aperfeiçoamento, encontrei aqui, neste local encantador, todos os subsídios necessários a um aprendizado mais concreto e expli…

Os professores: Um “novo” objeto da investigação educacional?

Houve um tempo, afinal nem tão distante, em que a função da escola era prioritariamente ensinar disciplinas que contribuíam nos universos de cada criança, despertando-as em suas inclinações naturais, na construção de seu futuro perfil profissional e pessoal.
Também era no ambiente escolar que a criança exercitava a convivência, não só com o contrário, mas principalmente com o diferente, deixando aflorar os ensinamentos oriundos de seu núcleo familiar.
Era comum ouvir-se: “a educação vem do berço”.
E este berço, não necessariamente precisava ser abastado economicamente e muito menos letrado, pois havia os conceitos pré-estabelecidos, onde as posturas respeitavam os limites do alheio, criando-se assim normas socais de conduta, não só externa, mas antes de tudo em meio à própria família.
Nesta época a que me refiro, havia uma distinção entre as atribuições tanto da família como da escola, assim como sob nenhuma circunstância esperava-se do mestre qualquer atributo fosse materno ou paterno, a…

O FALSO BOM SAMARITANO...

Há algumas horas atrás, assistia à uma uma aula de Filsosofia da Educação, onde em determinado momento falávamos em interação com o Professor Wilson sobre justamente a humanização de nós humanos.

Cheguei a argumentar que somos incapazes de atingir esta humanização ideal exatamente por que não somos educados ao entendimento da dimensão de nossa própria existência, nem no conceito individual quanto mais em relação a um todo que sequer conseguimos enxergar e muito menos sentir.

Estamos divididos em três facções vivenciais, ou seja: aqueles que crêem em Deus e são religiosos, aqueles que crêem, mas nao são religiosos, e aqueles que não crêem.

Todos, sem exceção, vagueiam em seus cotidianos sem ter qualquer entendimento real do quanto estão desperdiçando seus minutos presentes e, sem sem se dar conta, permanecem repetindo posturas que em sua maioria no máximo os robotizam, tirando lenta, mas sistematicamente, toda e qualquer potencialidade interior que é capaz de impulsioná-los a se verem com…