Pular para o conteúdo principal

MAIS EMOÇÃO, POR FAVOR

Estou aqui pensando no quanto é gratificante quando nos atemos ao simples fato de que somos ainda capazes de nos emocionar, seja na observação de um pássaro que decidiu bailar à nossa frente ou por uma tragédia com pessoas que sequer conhecemos. Esta impressionante capacidade amorosa, e que chega geralmente a nos provocar algumas lágrimas, é que faz de nós criaturas especiais neste mundo, sempre tão confuso, justo por ser absolutamente diverso. Talvez por isto, ainda nos sintamos tão profundamente ofendidos quando a indiferença ou a grosseria nos toca sem aviso prévio, sem qualquer razão que a justifique. Estamos vivendo épocas de mudanças de hábitos de convivência, onde os “velhos valores”, com os quais nos formamos como criaturas humanas, estão sendo atropelados e imediatamente substituídos por ações e reações de um novo mundo, que chega a cada instante, com infinitas novidades, não nos dando sequer tempo para avalia-las, criando em cada um de nós, uma sensação de estarmos sós em um grande espaço, onde o tudo mais gira entorno, mas onde verdadeiramente apenas plainamos, sem maiores conhecimentos do que realmente representamos e o que os demais representam em nossas vidas. É como um filme de ficção futurista, onde o tudo brilha num cintilar convidativo, mas onde irremediavelmente nos sentimos como figurantes sem script, tão somente seguindo as marcações do diretor, que pode ser a mídia, a internet ou o vazio que invade a alma de cada um de nós. E em meio a todo este manancial de distorções, se atento estivermos e se sem medo olharmos de frente, poderemos constatar toda esta parafernália de agressões, através da perda do respeito que as posturas éticas imprimiam e que determinavam, não apenas o certo e o errado, tão necessárias à convivência entre as pessoas, mas basicamente a ética, a formação e a condução das posturas equilibradas que estimulavam a justiça e a amorosidade nas relações de qualquer natureza. O mundo a cada dia permanece sempre lindo, sob o olhar de quem ainda detém em si, velhos costumes que eram naturais e que hoje são considerados fenomenais, como a decência, o respeito e a cordialidade. Que tal, resgatarmos um pouquinho destas “velharias conceituais”, afinal, se não podemos parar os absurdos que acompanham a contemporaneidade, com certeza podemos abrir os nossos baús pessoais e, de lá, deixar sair o melhor que imprimiram em nós, oferecendo ao nosso entorno como legado de vida e legítima liberdade, de pelo menos termos o nosso próprio texto neste teatro da vida.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OPRESSÃO CULTURAL

Acreditei estar me especializando na área da observação do comportamento humano e, por toda a minha vida, pensei estar aprendendo tudo quanto poderia, e, no entanto, absorvida com a diversidade infinita que me cercava e totalmente fascinada com o que majestosamente me apresentava a cada instante, me perdi totalmente, e, de repente, assim sem qualquer aviso prévio, vejo-me diante de minha não menos infinita ingenuidade avaliativa e percebo, então, o quanto nada sei em relação a capacidade humana em se adaptar às circunstâncias, ou a buscar posições favoráveis à suas conveniências pessoais de adaptabilidade social.Há alguns anos, venho tentando entender o porque de minha paixão por Itaparica, visto que conheci inúmeros outros locais, não menos bucólicos e acolhedores. E agora, como um raio de luz esclarecedor, posso compreender que em minhas buscas pessoais de aperfeiçoamento, encontrei aqui, neste local encantador, todos os subsídios necessários a um aprendizado mais concreto e expli…

Os professores: Um “novo” objeto da investigação educacional?

Houve um tempo, afinal nem tão distante, em que a função da escola era prioritariamente ensinar disciplinas que contribuíam nos universos de cada criança, despertando-as em suas inclinações naturais, na construção de seu futuro perfil profissional e pessoal.
Também era no ambiente escolar que a criança exercitava a convivência, não só com o contrário, mas principalmente com o diferente, deixando aflorar os ensinamentos oriundos de seu núcleo familiar.
Era comum ouvir-se: “a educação vem do berço”.
E este berço, não necessariamente precisava ser abastado economicamente e muito menos letrado, pois havia os conceitos pré-estabelecidos, onde as posturas respeitavam os limites do alheio, criando-se assim normas socais de conduta, não só externa, mas antes de tudo em meio à própria família.
Nesta época a que me refiro, havia uma distinção entre as atribuições tanto da família como da escola, assim como sob nenhuma circunstância esperava-se do mestre qualquer atributo fosse materno ou paterno, a…

O FALSO BOM SAMARITANO...

Há algumas horas atrás, assistia à uma uma aula de Filsosofia da Educação, onde em determinado momento falávamos em interação com o Professor Wilson sobre justamente a humanização de nós humanos.

Cheguei a argumentar que somos incapazes de atingir esta humanização ideal exatamente por que não somos educados ao entendimento da dimensão de nossa própria existência, nem no conceito individual quanto mais em relação a um todo que sequer conseguimos enxergar e muito menos sentir.

Estamos divididos em três facções vivenciais, ou seja: aqueles que crêem em Deus e são religiosos, aqueles que crêem, mas nao são religiosos, e aqueles que não crêem.

Todos, sem exceção, vagueiam em seus cotidianos sem ter qualquer entendimento real do quanto estão desperdiçando seus minutos presentes e, sem sem se dar conta, permanecem repetindo posturas que em sua maioria no máximo os robotizam, tirando lenta, mas sistematicamente, toda e qualquer potencialidade interior que é capaz de impulsioná-los a se verem com…