Pular para o conteúdo principal

INGRATIDÃO E A BUSCA DO "PODER"


Geralmente, escrevo nas madrugadas entre o silêncio inspirador e a profusão de pensamentos que me oferecem subsídios, mas hoje, contrariando o meu cansaço por já ser quinta-feira, depois de um dia estafante como o de ontem em Salvador, sinto-me impulsionada a escrever sobre os homens e as mulheres com os quais convivi antes e depois de alcançarem o poder, fosse público ou privado. 
Também conheci os que pelo simples fato de nascerem em determinadas famílias, já se encontravam a meio passo do poder, assim como também convivi com alguns que perderam o poder, poucos na realidade, pois esse osso, depois de conseguido, ninguém quer largar e tem gente que faz de tudo para não perdê-lo, assim com tem gente que, de tão despreparado, sequer percebe que o tem.
Coisa de louco!!!!!
Penso então, que já vivi situações que eu diria serem mais que interessantes, afinal, se com todos aprendi um pouco, certamente com alguns recebi diploma, pelo intensivo aprendizado que com certeza foi me ajudando ao longo da vida a segurar as minhas próprias perdas e a traçar com mais cuidado meus novos caminhos, minhas novas metas, porque de que adiantariam meus olhos, meus ouvidos e minha sensibilidade se nada valessem ao meu aprendizado.
Não é mesmo?
E aí, assusto-me com a capacidade que alguns seres humanos, dotados da generosidade da vida em receberem amparo afetivo e tantos outros atributos necessários para que cheguem a algum tipo de poder em suas existências e, ainda assim, não conseguem identificar e cultivar antes e muito menos depois da conquista, o mais bendito dos sentimentos que é justo a gratidão por aqueles que de alguma forma lhes serviram de trampolim em sua trajetória rumo ao poder.
Não se iluda achando que com você vai ser diferente.
Eles se “acham” e alguns eu vi chegarem bem perto, poucos eu presenciei conseguindo, mas a maioria se perdeu em meio a sua própria ignorância em achar que os demais jamais iriam perceber seu ignóbil caráter.
O ambicioso sem gratidão transforma-se em uma cópia do personagem completo do “bonzinho popular, do príncipe das soluções”, incrivelmente capaz de resolver todos os problemas, pois se mantém vestido e repleto de tudo que é bom, e o que é melhor, com soluções imediatas, instantâneas, soluções sempre fáceis que nos inebria, porque convenhamos, somos imediatistas, criaturinhas humanas cansadas de esperar, estamos carentes, na maioria das vezes, tão absurdamente machucados que sequer enxergamos que o que queremos já está sendo feito ou já está pronto.
Que loucura, a nossa mente esgotada e que maldade fazem conosco, estes escaladores do poder...
Desatentos pela carência, pelo cansaço dos seguidos enganos, tornamo-nos presas fáceis e não perguntamos como se dará tamanho milagre e, quando acordamos desta utopia, nos deparamos com a mágoa e a dor de termos sido traídos sem qualquer dó ou piedade, porque afinal, pouco ou quase nada nos será oferecido.
Viver muito tempo tem dessas coisas, acabamos por identificar muito rapidamente as aves de rapinas que, esfomeadas pelo poder, farejam as carniças envoltas de si mesmas sem sequer, pela arrogância de suas cegueiras prepotentes, terem a observância de que também estão sendo observadas, talvez não por muitos, mas certamente por alguns que podem fazer enorme diferença nos planos do escalador de poder.
Por que estou escrevendo sobre isto?
Não sei bem...
Talvez porque as eleições estejam chegando, muitos aspirantes ao poder e outros que não querem dele sair, certamente adentrarão em nossas vidas, com suas promessas de que tudo farão por nós. 
Ah! É tão cansativo...
Como cansativas são essas eleições a cada dois anos que quebram os ritmos administrativos, interrompendo a continuidade de infinitos projetos que, em sua maioria, jamais seguirão seus fluxos programados e com isso quem perde são as cidades e seus habitantes.
Portanto, espero que essas eleições que se aproximam se transformem em um bom motivo para exercitarmos o nosso olhar crítico, a fim de que nas eleições para prefeito e vereadores, estejamos mais conscientes quanto as nossas escolhas, pois seus efeitos nos atingirão mais rapidamente.
Bem, escrevi o que o meu coração determinou, na esperança de que outras pessoas também apurem seus sensos avaliativos e não comam gato por lebre, como eu já comi algumas vezes, pois é preciso que não seja esquecido jamais que, quem fere a mão que o amparou, certamente ferirá a minha, a sua, a de qualquer um a quem julga nada dever.
Mas será que não deve?
O nosso apoio e finalmente o nosso voto foram os meios pelos quais, a pessoa em questão, conseguiu o poder. 
Então há uma dívida, que só pode ser paga com gratidão e este bendito sentimento, raramente, me foi possível constatar.
Esse é um velho filme que precisamos deixar de assistir.
Você também não acha?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OPRESSÃO CULTURAL

Acreditei estar me especializando na área da observação do comportamento humano e, por toda a minha vida, pensei estar aprendendo tudo quanto poderia, e, no entanto, absorvida com a diversidade infinita que me cercava e totalmente fascinada com o que majestosamente me apresentava a cada instante, me perdi totalmente, e, de repente, assim sem qualquer aviso prévio, vejo-me diante de minha não menos infinita ingenuidade avaliativa e percebo, então, o quanto nada sei em relação a capacidade humana em se adaptar às circunstâncias, ou a buscar posições favoráveis à suas conveniências pessoais de adaptabilidade social.Há alguns anos, venho tentando entender o porque de minha paixão por Itaparica, visto que conheci inúmeros outros locais, não menos bucólicos e acolhedores. E agora, como um raio de luz esclarecedor, posso compreender que em minhas buscas pessoais de aperfeiçoamento, encontrei aqui, neste local encantador, todos os subsídios necessários a um aprendizado mais concreto e expli…

Os professores: Um “novo” objeto da investigação educacional?

Houve um tempo, afinal nem tão distante, em que a função da escola era prioritariamente ensinar disciplinas que contribuíam nos universos de cada criança, despertando-as em suas inclinações naturais, na construção de seu futuro perfil profissional e pessoal.
Também era no ambiente escolar que a criança exercitava a convivência, não só com o contrário, mas principalmente com o diferente, deixando aflorar os ensinamentos oriundos de seu núcleo familiar.
Era comum ouvir-se: “a educação vem do berço”.
E este berço, não necessariamente precisava ser abastado economicamente e muito menos letrado, pois havia os conceitos pré-estabelecidos, onde as posturas respeitavam os limites do alheio, criando-se assim normas socais de conduta, não só externa, mas antes de tudo em meio à própria família.
Nesta época a que me refiro, havia uma distinção entre as atribuições tanto da família como da escola, assim como sob nenhuma circunstância esperava-se do mestre qualquer atributo fosse materno ou paterno, a…

O FALSO BOM SAMARITANO...

Há algumas horas atrás, assistia à uma uma aula de Filsosofia da Educação, onde em determinado momento falávamos em interação com o Professor Wilson sobre justamente a humanização de nós humanos.

Cheguei a argumentar que somos incapazes de atingir esta humanização ideal exatamente por que não somos educados ao entendimento da dimensão de nossa própria existência, nem no conceito individual quanto mais em relação a um todo que sequer conseguimos enxergar e muito menos sentir.

Estamos divididos em três facções vivenciais, ou seja: aqueles que crêem em Deus e são religiosos, aqueles que crêem, mas nao são religiosos, e aqueles que não crêem.

Todos, sem exceção, vagueiam em seus cotidianos sem ter qualquer entendimento real do quanto estão desperdiçando seus minutos presentes e, sem sem se dar conta, permanecem repetindo posturas que em sua maioria no máximo os robotizam, tirando lenta, mas sistematicamente, toda e qualquer potencialidade interior que é capaz de impulsioná-los a se verem com…