sábado, 12 de julho de 2014

A FORÇA DO CONTRADITÓRIO


São quase cinco horas da manhã e já estou sentadinha diante de meu computador pensando e escrevendo, justo sobre as mulheres, estas criaturas maravilhosas que já encontraram os seus espaços sistêmicos, mas ainda precisam lutar a cada instante, para ocupá-los.
Como mulher me sinto absolutamente à vontade, afinal, sofro na pele todas as dificuldades de trânsito físico e emocional neste sistema ainda sobre o domínio e custódia do homem que até se mostra generoso, abrindo espaço aqui e acolá, mas que preocupado com a proteção de seus territórios, mantém controle ferrenho, limitando de uma forma ou de outra, tudo quanto possa lhe parecer perigoso ao seu próprio domínio.
AFF!!!! Como é cansativo e desgastante para nós mulheres vivenciarmos este duelo camuflado de mil maneiras, onde nos fazemos de tolas, compreensivas e magnânimas, pois compreendemos serem os únicos caminhos por onde podemos ir avançando lenta, mas seguras, em prol de um direito que nos garanta direitos.
Que coisa, hein!!!!
Somos e seremos sempre o contraditório dos homens, somos aquelas que lhes doam a sensibilidade e que geralmente tem o domínio argumentativo que pode inclusive se expressar somente através das atitudes aparentemente corriqueiras.
Somos os corpos que aquecem, temos os peitos que alimentam, possuímos os olhos que enxergam os detalhes que a eles, muitas vezes,  passam despercebidos.
Somos suas bases, seus esteios, seus consolos.
Somos seus prazeres, suas preocupações e até podemos chegar a sermos suas ruinas, mas apesar de representarmos tanto em suas vidas e de nós precisarem de forma indiscutível, nem que seja em um único aspecto fundamental que é o de simplesmente existir, ainda precisamos lutar a cada instante de nossas existências para sermos enxergadas pela grande maioria, além da cama e do fogão.
Penso então, que não tem sido fácil esta nossa jornada de vida em busca de liberdade.
E penso também que ao longo das batalhas, muitas de nós se perderam ou se confundiram, deixando lastros de dor, perdas e sofrimentos, trocando os alhos sadios de suas existências por confusos bugalhos que uma nova realidade, prometia.
Batalhas constantes desgastam, enfraquecem e nos induzem a desistir, e nesta jornada entre a consciência dos direitos, a ânsia do querer e a força do contrário, muitas vezes, recuamos, não por estratégia de um bom plano, mas tão somente, por cansaço.
Pense nisto, você mulher que me lê. Olhe ao redor e busque outras mulheres nos representando, expressando nossas vozes.
Tente fazer um pequeno exame de consciência, levando em conta a realidade de que tão acostumada que fomos ao cabresto, mesmo tendo a liberdade, nos sentimos presas.
E quando finalmente, ganhamos espaço e seguramos as rédeas, optamos em prestigiar os homens em detrimento de toda e qualquer mulher, pois o preconceito está primeiro em nós em não nos reconhecermos, em não nos valorizarmos.
Penso muito nisto, hoje, amanhã e sempre, por que não? Afinal, pensando muito, passo a enxergar um pouco e nesta guerra de valores, um pouco é sempre um pouco a mais.
E vivam os homens, nossos encantadores contraditórios ferrenhos e astutos na arte tenaz de querer, e quase sempre conseguir, nos enjaular.
E antes que me contradigam, pensem em suas próprias vidas, suas vitórias e perdas, pensem nos homens de suas vidas, nos silêncios e nos gritos e principalmente na solidão dos anseios e das conquistas.
Assim como pensem na força motora do contraditório masculino  que nos impulsiona  por todo o tempo na busca de nossos ideais femininos.



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